Brasil registra recorde de afastamentos por transtornos mentais entre trabalhadores

O Brasil alcançou um novo recorde de afastamentos do trabalho motivados por transtornos mentais. Em 2025, mais de 546 mil licenças foram concedidas por esse motivo, o maior número registrado na última década, segundo dados oficiais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O avanço contínuo desses afastamentos acende um alerta sobre a saúde mental da população economicamente ativa.

O levantamento abrange mais de 2 mil ocupações profissionais, incluindo afastamentos relacionados tanto a acidentes de trabalho quanto a doenças comuns. Entre as funções com maior número de registros estão atividades ligadas ao atendimento ao público e aos serviços essenciais, como vendedores do comércio varejista, faxineiros, auxiliares de escritório, assistentes administrativos e trabalhadores da linha de produção.

Especialistas apontam que o fenômeno não está restrito à natureza das ocupações, mas reflete condições estruturais do mercado de trabalho, como vínculos precários, pressão por metas, jornadas extensas e baixa autonomia profissional. Esses fatores, quando combinados, aumentam o estresse e favorecem o adoecimento psíquico.

Representantes do Ministério Público do Trabalho destacam que a remuneração atrelada ao desempenho e a cobrança excessiva por resultados intensificam o sofrimento mental. Auditoras fiscais do trabalho também alertam para o impacto das jornadas prolongadas, da exposição constante a riscos e, em alguns casos, da violência urbana sobre a saúde dos trabalhadores.

Do total de aproximadamente 4 milhões de afastamentos por doença registrados no ano, os transtornos mentais representam uma parcela significativa. Quadros de ansiedade e episódios depressivos lideram as causas, seguidos por diagnósticos como estresse grave, transtorno bipolar e dependência química, que também apresentam crescimento.

Os dados revelam ainda que as mulheres concentram a maioria dos afastamentos, respondendo por cerca de 63% dos casos, embora recebam, em média, benefícios de valor inferior aos concedidos aos homens.

O impacto financeiro é expressivo. Considerando afastamentos com duração média de três meses e benefícios mensais em torno de R$ 2,5 mil, o custo estimado aos cofres públicos pode chegar a quase R$ 4 bilhões em 2025.

Diante desse cenário, o governo adiou para maio a implementação da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que prevê a inclusão da fiscalização de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. A medida estabelece critérios para avaliar fatores como metas excessivas, jornadas prolongadas e assédio moral, com possibilidade de aplicação de multas às empresas que descumprirem as regras.

Fonte: https://jornalggn.com.br/noticia/as-profissoes-registram-afastamentos-por-transtornos-mentais-no-brasil/

FEV/26

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