A trajetória silenciosa que transformou o Zaffari em um gigante do varejo brasileiro

Por Tiago Henrique Bona

Em 2023, o Grupo Zaffari alcançou números que impressionam qualquer analista do varejo: faturamento de R$ 8 bilhões e lucro líquido de R$ 641 milhões. Hoje, é a maior rede de supermercados do Rio Grande do Sul — posição conquistada sem alarde, campanhas agressivas ou expansão precipitada.

A história do grupo, no entanto, começa longe dos grandes centros urbanos e dos holofotes do mercado nacional.

Em 1935, no município de Erechim, interior do Rio Grande do Sul, Francisco José Zaffari e Santina de Carli Zaffari abriram um pequeno armazém de secos e molhados na Vila Sete de Setembro. Doze anos depois, em 1947, a família mudou-se para Erval Grande, onde o negócio continuou crescendo de forma orgânica, sustentado pela relação de confiança com a comunidade local.

A grande virada viria três décadas depois. Em 1965, o Zaffari inaugurou sua primeira loja em Porto Alegre, na Avenida Protásio Alves. A entrada na capital marcou o início da expansão urbana do grupo. Ao longo dos anos 1970, novas unidades surgiram em pontos estratégicos da cidade, sempre guiadas por um posicionamento claro: qualidade, variedade e preço justo.

O slogan “Economizar é comprar bem” deixou de ser apenas uma frase de efeito e se tornou parte da identidade da marca.

Em 1979, o grupo deu mais um passo decisivo ao inaugurar seu primeiro hipermercado, em Canoas. Na sequência, a operação avançou para cidades como Novo Hamburgo, São Leopoldo e Caxias do Sul. Por décadas, o crescimento manteve-se restrito ao território gaúcho — uma decisão estratégica que priorizou solidez operacional e domínio regional.

A primeira expansão para fora do Estado ocorreu apenas em 2008, com a inauguração do Bourbon Shopping São Paulo. Hoje, o grupo também opera o hipermercado do Morumbi Town, consolidando sua presença no maior mercado consumidor do país.

A diversificação do portfólio acompanhou o amadurecimento da empresa. Além de supermercados, hipermercados e shopping centers, o grupo lançou, em 2023, o Cestto Atacadista, sua entrada no segmento de atacarejo. A primeira unidade foi aberta em Gravataí, com investimento de R$ 100 milhões.

Atualmente, o Grupo Zaffari reúne 37 lojas, 10 shopping centers e mais de 12 mil colaboradores.

E o ritmo de crescimento segue consistente. Até 2026, a empresa planeja investir mais de R$ 1,5 bilhão. Entre os projetos anunciados, um se destaca pelo porte e pela ambição: o Boulevard Germânia, em Novo Hamburgo. Concebido como um bairro-cidade para cerca de 25 mil pessoas, o empreendimento tem investimento total estimado em R$ 6 bilhões.

A trajetória do Zaffari oferece uma lição clara de negócios: empresas longevas não crescem por saltos abruptos. Crescem acumulando confiança, reinvestindo resultados e expandindo apenas quando a base está sólida.

O grupo não se tornou gigante tentando ser nacional rápido demais. Tornou-se gigante ao dominar profundamente o seu território — antes de avançar além dele.

Fonte : https://www.linkedin.com/posts/tiagobona

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