Contratação de urgência no varejo: quando a pressa vira sintoma de falha na gestão

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No dia a dia acelerado do varejo, a abertura de vagas emergenciais costuma ser tratada como uma questão de velocidade: o gerente de loja ou o CD precisa de alguém agora e pressiona o RH por agilidade. Ainda mais no cenário atual, que tem sido desafiador para preencher as vagas. No entanto, quando a urgência deixa de ser exceção e vira regra, o problema raramente está na capacidade de recrutamento. Segundo Daniel Monteiro, fundador da Yellow.rec, o diagnóstico é mais profundo: falha no planejamento estrutural de pessoas.


Para o varejista, que lida com alta rotatividade e margens apertadas, operar constantemente no “modo crise” pode gerar um ciclo vicioso que custa caro ao negócio.


Recrutamento Estratégico vs. Recrutamento Reativo


Em organizações com gestão madura, a abertura de uma vaga é o desdobramento de um plano estratégico. Já no modelo reativo, a contratação só acontece quando a operação já está sobrecarregada ou o problema estourou.


“Quando a empresa vive contratando com urgência, geralmente o problema não é o recrutamento. É a falta de previsibilidade sobre como o negócio cresce e quais capacidades ele precisa construir ao longo do tempo”, afirma Monteiro.


Os riscos da “contratação para ontem”


No setor supermercadista, assim como em diversos outros segmentos, o impacto de uma contratação mal planejada é imediato e visível:


• Aumento do Risco de Erro: Processos feitos sob pressão tendem a ser menos criteriosos, resultando em profissionais desalinhados com a cultura da loja ou da função.
• Custo Financeiro Elevado: O prejuízo inclui desde o retrabalho em novos processos seletivos até o impacto na produtividade da equipe que precisa treinar um novo colaborador que, muitas vezes, não permanece no cargo.
• Sobrecarga Operacional: Sem um planejamento de sucessão para cargos-chave (como gerentes de seção), a saída de um talento desestabiliza toda a operação da unidade.


O papel do RH no Varejo Atual


Para que o RH deixe de ser apenas um “tirador de pedidos” de vagas, ele precisa estar conectado à estratégia de expansão da rede. “Recrutamento não deveria começar quando a vaga abre. Ele deveria começar quando a empresa decide para onde quer crescer”, pontua Daniel Monteiro, da Yellow.rec.


Se a rede planeja abrir cinco novas lojas no próximo semestre, por exemplo, o mapeamento de talentos e a formação de banco de reserva devem acontecer agora, e não na semana da inauguração. A previsibilidade permite definir melhor o escopo das funções, alinhar expectativas com os gestores de área e, consequentemente, reduzir a rotatividade.


Mesmo considerando a conjuntura atual do mercado de trabalho. Caso todas as suas vagas são “para ontem”, sua empresa pode estar sofrendo de desorganização estrutural. O uso de dados de RH para prever sazonalidades e o investimento em planos de sucessão são ferramentas essenciais para transformar a contratação em uma vantagem competitiva, e não em um eterno “apagamento de incêndios”.

Fonte : https://samais.com.br/publicacoes/contratacao-de-urgencia-no-varejo-quando-a-pressa-vira-sintoma-de-falha-na-gestao

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