De acordo com reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o empresário Jerônimo Bocayuva, fundador da rede de restaurantes Gurumê, tem se posicionado contra o projeto de lei que propõe mudanças na escala de trabalho 6×1. Em sua experiência prática, a adoção da escala 5×2 trouxe resultados positivos, especialmente na redução da rotatividade de funcionários e das faltas nas unidades da rede.
Segundo a matéria, Bocayuva iniciou a transição para o modelo com dois dias de folga semanais após identificar que o índice de rotatividade nas unidades havia atingido cerca de 30%. Após a implementação do novo regime de trabalho, o número de faltas caiu pela metade, e o ambiente organizacional apresentou melhora significativa.
O empresário relata que o processo de adaptação exigiu ajustes operacionais, incluindo a adoção de jornadas flexíveis e o uso de banco de horas para compensação de períodos de maior movimento, como fins de semana. “No primeiro mês foi difícil acertar as escalas, mas depois conseguimos estabilizar e a rotatividade diminuiu”, afirmou, conforme registrado pela reportagem.
Ainda segundo a Folha de S.Paulo, a rede Gurumê, que conta com cerca de 850 funcionários e projeta faturamento de R$ 260 milhões em 2026, também observou impactos positivos na retenção de talentos, especialmente em um cenário de escassez de mão de obra no setor de alimentação.
Bocayuva defende que a definição da jornada de trabalho deve ser resultado de negociação direta entre empresas e trabalhadores, considerando as características de cada segmento. Para ele, a escala 5×2 pode ser uma ferramenta estratégica para aumentar a satisfação dos funcionários e melhorar a produtividade, mas não deve ser imposta de forma uniforme a todos os setores.
O debate ocorre em meio à discussão nacional sobre a redução da jornada semanal e possíveis mudanças na legislação trabalhista. O empresário afirma que continuará acompanhando as discussões, mas reforça sua posição de que a flexibilidade nas relações de trabalho é essencial para a sustentabilidade dos negócios e a manutenção de empregos.
Fonte: Folha de S.Paulo, editoria de Economia, 17 de abril de 2026.