O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje, 16 de junho, a Pesquisa Mensal de Comércio de abril. A forte queda surpreendeu. O varejo restrito recuou 1,5% na comparação com março, quando havia crescido 0,7% na comparação com fevereiro. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) esperava novo crescimento de 0,7%, enquanto a mediana do mercado esperava queda de 0,6%. Essa foi a maior queda mensal desde junho de 2022.
Após um primeiro trimestre de forte crescimento que renovou o topo histórico da série, a queda em abril traz o índice de volta aos níveis de janeiro. O crescimento acumulado em 12 meses recuou de 1,8% para 1,5%, mesmo nível de novembro de 2025. No ano, o varejo restrito acumula alta de 2,0%, uma redução dos 2,4% vistos em março.
O comércio varejista ampliado também recuou em abril, embora em menor escala. O indicador caiu 0,7%, após a estabilidade em março (0,0%). O acumulado em 12 meses se manteve em modesto 0,2%, enquanto o crescimento no ano, com relação ao mesmo período do ano passado, passou de 1,9% em março para 1,8%. O varejo ampliado sofre mais com um cenário de crédito apertado, como o atual. Com a Selic em 14,5%, o custo de tomar empréstimos fica muito alto, dificultando a compra de automóveis e imóveis, itens que pesam no indicador.
Seis dos oito grupos do varejo restrito registraram retração no mês. Os principais destaques negativos foram os setores de combustíveis e lubrificantes (-6,2%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%) e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-4,5%). Os três segmentos foram os principais destaques positivos do mês de março, sugerindo um movimento de acomodação após expansão no mês anterior.
O volume de combustíveis e lubrificantes recuou 6,2% em abril frente a março, registrando a maior queda entre os segmentos do varejo restrito no mês. O movimento sucede um período de forte expansão das vendas, quando o índice de volume do setor avançou de 95,5 pontos em dezembro para 106,0 pontos em março. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a gasolina avançou 1,86% e o óleo diesel aumentou 4,46% em abril, acumulando altas de 6,29% e 15,73% em 12 meses, respectivamente. Além disso, a persistência das tensões geopolíticas no Oriente Médio manteve elevada a volatilidade das cotações internacionais do petróleo, ampliando as incertezas da trajetória futura dos preços da energia. Esse ambiente tende a aumentar a cautela de consumidores e empresas, especialmente segmentos mais dependentes de transporte e logística.
O segmento de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou crescimento de 1,3% em abril frente a março, destacando-se como a principal contribuição positiva para o varejo no mês e devolvendo a queda no mês anterior. O desempenho ocorreu mesmo diante da continuação da inflação de alimentos, com alimentação no domicílio registrando alta de 1,64% no IPCA de abril. Por concentrar produtos de consumo essencial, o setor tende a apresentar menor sensibilidade às oscilações de preços, o que contribui para sustentar o volume de vendas mesmo em ambiente de maior pressão inflacionária. Além disso, o segmento segue beneficiado pela resiliência do mercado de trabalho e da massa de rendimento das famílias.
O setor de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação recuou 4,5% em abril, após ter avançado 5,7% em março. O movimento sugere uma acomodação após o forte crescimento registrado ao longo do primeiro trimestre, período em que o segmento foi favorecido pela valorização do real frente ao dólar e pelo aumento da competitividade de produtos importados. Ainda assim, o setor permanece entre os de melhor desempenho do varejo, acumulando crescimento de 8,8% no ano e de 7,7% nos últimos 12 meses.
Em linha com esse movimento de correção após os ganhos recentes, o setor de outros artigos de uso pessoal e doméstico recuou 4,6% em abril frente a março, devolvendo parte dos ganhos registrados nos meses anteriores. O resultado refletiu desaceleração do consumo em segmentos ligados a bens não essenciais, como lojas de departamento, artigos esportivos, joalherias e brinquedos, que haviam apresentado desempenho expressivo no primeiro trimestre. Ainda assim, o segmento segue operando em patamar superior ao observado um ano antes, acumulando alta de 1,7% nos últimos 12 meses.
No varejo ampliado, o volume de vendas registrou retração de 0,7% em abril. O setor de materiais de construção registrou queda de 3,6% no mês, enquanto o segmento de veículos, motocicletas, partes e peças apresentou retração de 0,7%. Os resultados interrompem parte da recuperação observada no primeiro trimestre e refletem o cenário ainda desafiador para segmentos mais sensíveis às condições de crédito.
Para o próximo mês, a CNC espera crescimento de 0,7% na série de varejo restrito com ajuste sazonal.
Fonte : portaldocomercio.org.br