A mediana do IPCA para 2026 subiu de 5,30% para 5,33%, em sua 16ª alta consecutiva, enquanto as projeções de 2027 e 2028 avançaram de 4,10% para 4,15% e de 3,68% para 3,69%, respectivamente. O movimento é menor que o da semana anterior, mas confirma que a revisão inflacionária segue espalhada pelos horizontes relevantes da política monetária. A leitura dialoga com um quadro ainda desconfortável: o IPCA de maio acumulou 4,72% em 12 meses, e o próprio corte da Selic pelo Copom foi acompanhado por cautela em relação à convergência das expectativas.
O PIB de 2026 teve nova revisão positiva, de 1,96% para 1,98%, ao passo que as medianas de 2027 e 2028 permaneceram em 1,70% e 2,00%. A alteração é pequena, mas consistente com sinais recentes de atividade mais resistente, como a alta de 1,2% do volume de serviços em abril e o avanço do IBC-Br com ajuste sazonal no mesmo mês de 0,5%. A estabilidade dos anos seguintes, porém, sugere que o mercado ainda não extrapola essa resiliência para um ciclo de crescimento mais forte, diante do nível elevado dos juros reais.
No câmbio, a mediana para 2026 ficou estável em R$/US$ 5,20, a projeção de 2027 passou de R$/US$ 5,25 para R$/US$ 5,26 e 2028 permaneceu em R$/US$ 5,30. A quase estabilidade das estimativas contrasta com a depreciação observada na semana, quando a taxa de venda saiu de R$ 5,04 em 15 de junho para R$ 5,14 no dia 19, após tocar R$ 5,16 no dia 18. O Focus, portanto, parece incorporar a volatilidade recente sem alterar de forma relevante a leitura de médio prazo para o real.
A Selic esperada para 2026 aumentou de 13,75% para 14,00%, enquanto as medianas de 2027 e 2028 ficaram estáveis em 12,00% e 10,25%. A revisão ocorreu mesmo após o Copom reduzir a meta de 14,50% para 14,25% ao ano, em linha com a expectativa da CNC de corte de 0,25 ponto percentual. O ajuste do Focus indica que o mercado passou a ver menor espaço para novas reduções ao longo de 2026, em resposta à piora das expectativas de inflação e à necessidade de preservar uma postura monetária ainda restritiva.
As medianas do resultado primário permaneceram em -0,50% do PIB para 2026 e -0,40% para 2027, enquanto 2028 piorou marginalmente, de -0,23% para -0,24% do PIB. A pequena deterioração no horizonte mais longo sugere que os resultados positivos de curto prazo ainda não mudaram a avaliação estrutural das contas públicas. O superávit de abril, de R$ 25,2 bilhões no Governo Central e R$ 25,9 bilhões no setor público consolidado, ajuda a margem, mas não elimina a cautela associada ao déficit acumulado em 12 meses.
Fonte : https://portaldocomercio.org.br/