Índice acumula alta de 3,27% no ano e de 3,16% em 12 meses até junho, abaixo da inflação oficial medida pelo IPCA
O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) registrou deflação de 0,50% em junho, depois de ter registrado alta de 0,84% no mês anterior, mostraram dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta segunda-feira, 29.
A expectativa em pesquisa da Reuters era de recuo de 0,45%, e, com o resultado do mês, o índice passou a acumular avanço de 3,16% em 12 meses, abaixo da inflação oficial medida pelo IPCA.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, teve queda de 0,97% em junho, depois de subido 0,91% no mês anterior. “O movimento de convergência dos preços de commodities energéticas e minerais aos patamares pré-guerra de Ormuz contribuiu para que o IPA registrasse queda”, explicou Matheus Dias, economista do FGV IBRE.
Entre as maiores quedas, destaque para o recuo nos preços do café (-9,69%), diesel (-6,18%) e minério de ferro (-2,61%).
Dias ainda destacou, que no segmento agrícola, apesar das expectativas de um El Niño intenso e dos choques em insumos devido à guerra, “as principais safras ainda apresentam resultados positivos para o ano, o que se reflete na queda dos preços de cana-de-açúcar e café”.
A guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro, fechou o Estreito de Ormuz, via fundamental para o transporte de petróleo e outros insumos, elevando seus preços.
O IGP-M, também chamado de “inflação do aluguel” por ser usado para correção de contratos, calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.
Índice de preços ao consumidor registrou alta
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, desacelerou a alta a 0,47% em junho, de 0,61% em maio.
“Parte (da) redução nos preços ao produtor tem sido repassada aos preços ao consumidor, com destaque para as quedas em gasolina, etanol e café em pó”, completou Dias.
Segundo os dados do IPC, a gasolina recuou em junho 1,29%, enquanto o etanol caiu 5,61% e o café em pó teve queda de 2,57%.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) passou a subir no período 0,85%, de uma alta de 0,77% em maio.
Repercussão
Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o resultado de junho traz um sopro de alívio, em boa parte reflexo do recuo do petróleo com o avanço das negociações de paz entre EUA e Irã.
“Parte desse movimento já começa a chegar ao consumidor, como mostram as quedas em itens do IPC. Se a distensão nos preços das commodities se mantiver, o IPCA dos próximos meses pode sentir algum alívio. Ainda assim, a pressão em alimentos, a bandeira tarifária amarela e o risco de um El Niño intenso no segundo semestre travam qualquer otimismo excessivo”, afirma.
Fonte : https://istoedinheiro.com.br/igp-m-registra-deflacao-em-junho-com-queda-nas-commodities-e-precos-ao-produtor