Escassez de mão de obra desafia empresas e pressiona custos operacionais

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Levantamentos apontam que, mesmo com desemprego em níveis historicamente baixos, empresas de diferentes setores enfrentam dificuldades crescentes para contratar profissionais qualificados.

A redução da taxa de desemprego no Brasil tem evidenciado um novo desafio para a economia: a dificuldade das empresas em preencher vagas de trabalho. O cenário, que atinge desde o comércio até a indústria, tecnologia e serviços, já impacta a operação das companhias, aumenta custos e limita o crescimento dos negócios.

De acordo com reportagem publicada pelo jornal O Globo, neste domingo (5), a escassez de profissionais deixou de ser um problema pontual e se tornou uma realidade em diversos segmentos da economia. A falta de trabalhadores qualificados é apontada como uma das principais preocupações dos empresários, especialmente em funções operacionais e técnicas.

Segundo a matéria, a taxa de desemprego caiu de 11% no trimestre encerrado em setembro de 2021 para 6,2% no mesmo período de 2024, mantendo-se próxima dos menores patamares da série histórica. Ao mesmo tempo, cresce o percentual de empresas que relatam dificuldades para contratar.

Uma pesquisa citada na reportagem mostra que oito em cada dez empresários afirmam enfrentar obstáculos para preencher vagas. Em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, essa percepção é ainda mais expressiva.

Entre as áreas com maior dificuldade de contratação estão comércio, indústria de alimentos, saúde, tecnologia da informação, atendimento ao cliente, marketing e vendas. As funções mais afetadas incluem operadores de caixa, atendentes, vendedores, auxiliares administrativos, profissionais da área logística e trabalhadores especializados em manutenção e produção.

A reportagem também destaca que empresas têm recorrido a diferentes estratégias para atrair e reter profissionais, como aumento de salários, flexibilização da jornada, benefícios adicionais e programas de qualificação. Mesmo assim, muitos empregadores afirmam que a oferta de mão de obra continua insuficiente para atender à demanda.

Outro fator apontado é o crescimento do trabalho por aplicativos, que tem atraído parte da mão de obra, especialmente trabalhadores sem formação superior, em razão da possibilidade de remuneração mais elevada e maior flexibilidade de horários.

Especialistas ouvidos por O Globo avaliam que o envelhecimento da população, a redução do crescimento demográfico e as mudanças nas expectativas profissionais também contribuem para o cenário. Além disso, o avanço de setores ligados à tecnologia, energia e infraestrutura tem ampliado a procura por profissionais especializados, cuja formação exige mais tempo.

Na avaliação dos analistas, a tendência é que a escassez de mão de obra continue pressionando o mercado de trabalho nos próximos anos, exigindo investimentos em qualificação profissional, aumento da produtividade e adoção de novas tecnologias para reduzir os impactos sobre a atividade econômica.

Fonte: Adaptado da reportagem “Escassez crônica de mão de obra”, publicada no caderno Economia do jornal O Globo, edição de 5 de julho de 2026.

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