O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje, 10 de julho de 2026, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de junho. O indicador avançou 0,16% na comparação com maio, quando havia registrado alta de 0,58%. O resultado ficou abaixo da projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), de 0,25%, e da mediana do mercado, de 0,31%.
No primeiro semestre, o IPCA acumulou alta de 3,37%. Em 12 meses, a inflação desacelerou de 4,72% em maio para 4,64% em junho, mas permaneceu ligeiramente acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância da meta. Os núcleos acompanhados pelo Banco Central variaram entre 0,15% e 0,25% no mês, indicando uma dinâmica subjacente mais moderada do que a observada no índice cheio em maio.
O principal destaque de junho foi a queda de 0,24% do grupo Alimentação e bebidas, após alta de 1,33% em maio. Com peso de 21,75% no índice, o grupo retirou 0,05 ponto percentual do IPCA e apresentou a maior contribuição desinflacionária entre os nove grupos pesquisados. O movimento concentrou-se na alimentação no domicílio, que recuou 0,39%, enquanto a alimentação fora do domicílio avançou 0,15%.
A queda dos alimentos foi disseminada entre itens relevantes do consumo doméstico. Café moído (-3,72%), açaí (-14,40%), alcatra (-2,35%), contrafilé (-1,53%), tomate (-2,02%) e óleo de soja (-2,78%) estiveram entre as principais pressões negativas. Em sentido contrário, feijão-carioca (8,31%) e batata-inglesa (3,57%) limitaram a deflação. Em 12 meses, a alimentação no domicílio acumula 3,03%, abaixo dos 5,89% registrados na alimentação fora do domicílio.
Entre as pressões de alta, Habitação avançou 0,63% e respondeu por 0,10 ponto percentual do índice. A energia elétrica residencial subiu 1,53% e, isoladamente, acrescentou 0,06 ponto percentual ao IPCA. Transportes aumentaram 0,17%, com impacto de 0,03 ponto percentual: a alta de 7,12% das passagens aéreas foi parcialmente compensada pelas quedas do etanol (-3,09%) e da gasolina (-0,12%).
Saúde e cuidados pessoais registraram alta de 0,23%, acumulando 6,21% em 12 meses. Os planos de saúde avançaram 0,34% e os perfumes, 1,12%, mantendo a contribuição do grupo em 0,03 ponto percentual. Despesas pessoais também exerceram impacto de 0,03 ponto percentual, com alta de 0,25% no mês e de 5,79% em 12 meses, influenciada pelo aumento de 0,53% do empregado doméstico.
Os demais grupos apresentaram variações contidas. Artigos de residência subiram 0,23%, comunicação avançou 0,19% e vestuário, 0,17%. Educação foi o único grupo, além de Alimentação e bebidas, a registrar queda no mês (-0,02%), embora ainda acumule alta de 6,33% em 12 meses. Esse comportamento mostra menor pressão corrente, mas persistência relevante em alguns segmentos de serviços.
Na decomposição por subitens, energia elétrica residencial e passagem aérea foram os maiores impactos positivos, somando cerca de 0,11 ponto percentual. No campo negativo, seguro voluntário de veículo (-0,03 ponto percentual), café moído (-0,02 ponto percentual) e etanol (-0,02 ponto percentual) concentraram parte importante do alívio. A composição, portanto, combinou redução de alimentos e combustíveis com pressões ainda localizadas em preços administrados e serviços.
A leitura de junho é favorável, mas não caracteriza, isoladamente, uma desinflação generalizada. A surpresa baixista decorreu sobretudo de componentes mais voláteis, especialmente alimentos e combustíveis, enquanto itens associados a serviços, como aluguel, empregado doméstico e plano de saúde, continuaram avançando. A desaceleração dos núcleos reduz o risco de propagação, porém a inflação em 12 meses ainda permanece acima do limite superior da meta.
Para julho, a mediana das expectativas de mercado aponta variação de 0,30%. A continuidade do alívio na alimentação dependerá da normalização da oferta e dos preços no atacado, enquanto serviços permanecem em risco de alta. Energia elétrica permanecerá com bandeira amarela no próximo mês, enquanto o bônus de Itaipu só será pago em agosto, gerando um alívio na conta de luz das famílias. O resultado de junho melhora o balanço inflacionário de curto prazo, mas a convergência para a meta exige moderação adicional ao longo do segundo semestre. A CNC espera crescimento de 0,3% no próximo mês e de 4,9% em 2026.
Fonte : portaldocomercio.org.br