Escassez de mão de obra leva varejistas a ampliar programas de formação de jovens profissionais

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Empresas investem em programas de primeiro emprego e capacitação como estratégia para fortalecer o quadro de colaboradores

O déficit de mão de obra no comércio brasileiro tem levado empresas a intensificar investimentos na formação de novos profissionais. Em um cenário marcado por dificuldades de contratação, mudanças nas expectativas das novas gerações e alta rotatividade, programas de primeiro emprego ganharam relevância como ferramenta estratégica para desenvolver talentos e reduzir gargalos operacionais.

O desafio é evidenciado por pesquisas recentes. Segundo a Global Gen Z and Millennial Survey 2025, da Deloitte, 89% dos brasileiros da Geração Z e 92% dos millennials afirmam buscar propósito e significado no trabalho. Ao mesmo tempo, 46% dos jovens da Geração Z dizem sentir ansiedade ou estresse na maior parte do tempo, reflexo das pressões relacionadas à inserção no mercado de trabalho.

A escassez de profissionais também afeta diretamente o varejo. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgado em setembro de 2025, apontou que a falta de trabalhadores no comércio atingiu o maior nível dos últimos cinco anos, reforçando a necessidade de ampliar iniciativas voltadas à atração e ao desenvolvimento de novos talentos.

Nesse contexto, o Grupo Master, controlador das bandeiras Master Supermercados, Econômico Atacadão e Badotti, vem fortalecendo sua estratégia de formação de profissionais por meio do Programa Primeiro Emprego e do projeto Andorinhas. As iniciativas combinam inserção no mercado de trabalho, capacitação técnica e acompanhamento do desenvolvimento dos participantes.

Somente em 2025, os programas disponibilizaram 187 vagas para jovens a partir de 16 anos. Além da contratação, os participantes recebem formação em parceria com o Senac, conciliando atividades práticas com capacitação profissional.

Segundo a gerente de gestão de pessoas do Grupo Master, Marieli Calgarotto, o objetivo é preparar os jovens para uma trajetória profissional sustentável dentro da companhia. “O primeiro emprego representa muito mais do que a entrada no mercado de trabalho. É uma etapa decisiva para o desenvolvimento de competências, fortalecimento do senso de responsabilidade e formação profissional. Nosso compromisso é criar um ambiente que ofereça oportunidades concretas de aprendizado, desenvolvimento e crescimento, apoiando e orientando esses jovens a construir trajetórias profissionais consistentes.”

De acordo com a executiva, a estratégia vai além da abertura de vagas e busca estruturar um processo contínuo de formação, alinhando o desenvolvimento dos colaboradores às necessidades operacionais e à cultura organizacional da empresa.

Além da experiência prática nas lojas e áreas administrativas, os participantes recebem treinamento em processos do varejo, atendimento ao cliente, relacionamento interpessoal e desenvolvimento de competências comportamentais, consideradas essenciais para a evolução na carreira.

Os resultados aparecem em trajetórias de colaboradores que cresceram internamente. Rafael Cizmovski ingressou no Grupo Master em 2021, aos 14 anos, como jovem aprendiz. Desde então, passou pelas funções de repositor, monitor e operador de empilhadeira até assumir, recentemente, a liderança do setor de mercearia. “Esse processo fez eu me tornar uma pessoa mais responsável, atenciosa, dedicada e focada. Desejo continuar crescendo dentro da empresa, conquistando meus objetivos e fazendo o melhor possível sempre”, afirma.

Outro exemplo é o de Juliana Parmigiani, que iniciou sua carreira no Grupo Master em 1997 como operadora de caixa e atualmente ocupa a função de supervisora de Tesouraria. Ao longo de quase três décadas, acompanhou diferentes ciclos de expansão e transformação do varejo alimentar. “Entrei com o desejo de aprender e evoluir e continuo pelo mesmo motivo. Passei por vários ciclos e mudanças de mercado, me reinventei profissionalmente. Cada ano foi de aprendizado técnico, amadurecimento e, acima de tudo, de desenvolvimento humano”, destaca.

Com a crescente competição por mão de obra e a necessidade de formar equipes mais qualificadas, programas de desenvolvimento profissional tendem a ganhar ainda mais espaço na estratégia das empresas do varejo, que enxergam na capacitação de jovens uma forma de reduzir a escassez de talentos, fortalecer a cultura organizacional e garantir a formação de futuras lideranças.

Fonte : https://www.superhiper.com.br/escassez-de-mao-de-obra-leva-varejistas-a-ampliar-programas-de-formacao-de-jovens-profissionais/

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