As expectativas do mercado para a economia brasileira tiveram novas revisões na edição de 10 de agosto do Boletim Focus, analisado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) com base nos dados divulgados pelo Banco Central. O cenário mostra uma inflação ligeiramente menor, mas também uma perda de ritmo da atividade econômica nos próximos anos.
A mediana das projeções para o IPCA de 2026 caiu de 5,03% para 5,02%. Para 2027, a estimativa permaneceu em 4,22%, enquanto a previsão para 2028 continuou em 3,80%. A redução mantém a trajetória de alívio das expectativas de curto prazo, embora em ritmo mais moderado do que nas semanas anteriores. O resultado também está alinhado ao IPCA de junho, que registrou alta de 0,16% no mês e acumulou 4,64% em 12 meses.
Ao mesmo tempo, as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) foram reduzidas. A estimativa de crescimento para 2026 passou de 1,99% para 1,98%, enquanto a previsão para 2027 caiu de 1,57% para 1,52%. Para 2028, a expectativa permaneceu em 2%. A revisão reforça a percepção de perda gradual de força da economia no horizonte intermediário.
Os dados de atividade econômica apresentados pela CNC mostram um cenário heterogêneo. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) avançou 0,10% em maio, enquanto o volume de serviços recuou 0,40%. Os números indicam sustentação da atividade no curto prazo, mas com menor uniformidade entre os setores.
No mercado de câmbio, as projeções permaneceram inalteradas. A mediana para o dólar ficou em R$ 5,20 para 2026, R$ 5,28 para 2027 e R$ 5,30 para 2028. Apesar da estabilidade das estimativas, a taxa de venda oscilou durante a semana, passando de R$ 5,07 para R$ 5,09 e chegando a R$ 5,12 no meio do período.
Selic permanece em 13,75% para 2026
As expectativas para a taxa básica de juros também não sofreram alterações. O mercado manteve a projeção da Selic em 13,75% para 2026, 12% para 2027 e 10,50% para 2028. A estabilidade ocorre após a revisão para baixo registrada na semana anterior e indica que os agentes econômicos aguardam novos sinais de desaceleração da inflação antes de ampliar as apostas em cortes de juros.
Na semana anterior, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 14,25% para 14%, movimento que estava em linha com as expectativas da CNC e do mercado. Para a próxima reunião, marcada para 16 de setembro, a análise aponta expectativa de novo corte de 0,25 ponto percentual.
No campo fiscal, as projeções também permaneceram praticamente estáveis. A mediana para o resultado primário foi mantida em déficit equivalente a 0,50% do PIB em 2026 e 0,40% em 2027. Para 2028, a expectativa passou de déficit de 0,25% para 0,23% do PIB.
A ausência de mudanças relevantes nas estimativas fiscais mostra que a semana não trouxe novos elementos capazes de alterar a percepção do mercado sobre as contas públicas. O cenário fiscal continua sendo considerado um fator de cautela e limita uma melhora mais consistente das expectativas para o médio prazo.
Fonte: Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com base no Boletim Focus do Banco Central.