Energia elétrica puxa custo de vida na RMSP em julho, mostra FecomercioSP

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Alimentos aliviam, mas choque da habitação afeta orçamento das famílias; acumulado do
ano chega a 3,54%
A energia elétrica residencial puxou o Custo de Vida por Classe Social (CVCS) na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). O indicador da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) apresentou alta de 0,44% em julho. O aumento de 7,55% na conta de luz no mês contribuiu substancialmente para a elevação, concentrando a inflação de forma expressiva no grupo de habitação. O acumulado do ano chegou a 3,54%, acima dos 3,27% registrados no mesmo período de 2025. Nos últimos 12 meses, o índice desacelerou para 4,98%, abaixo da marca de 5%.

De acordo com a FecomercioSP, apesar do choque pontual na conta de luz, os sinais para os próximos meses tendem a ser mais favoráveis. A menor pressão do preço do petróleo tende a se refletir em alívio nos combustíveis e, por extensão, na cadeia de custos, o que ajuda a conter a inflação de bens. Contudo, persiste a dúvida quanto ao quadro global e às eleições, que podem impactar o câmbio — e, consequentemente, os preços.  Dentre os nove grupos que compõem o indicador, quatro encerram o sétimo mês do ano com decréscimo em suas variações médias: vestuário (-1,02%), despesas pessoais (-0,37%), educação (-0,04%) e artigos de residência (-0,04%).

O grupo de habitação foi o responsável pela alta de julho, avançando 1,86% e contribuindo com cerca de 0,31 ponto porcentual (p.p.), ou seja, o correspondente a mais de dois terços da alta no mês — puxado pela conta de luz residencial que subiu, em razão do reajuste tarifário de 10,7% aplicado pela distribuidora. No varejo, os materiais de construção seguiram pressionados, com revestimentos, cimento, tijolo e material hidráulico subindo cerca de 2,8%. Em 12 meses, o grupo acumula 6,19%, o maior entre todos. 

O segmento de saúde, por sua vez, foi o segundo com maior contribuição, avançando 0,85% no mês e acumulando 6,77% nos últimos 12 meses, dado que confirma o caráter estrutural dessa pressão. No varejo, a pressão foi ampla entre os medicamentos, como hormônios (3,2%), anti-inflamatórios (2,2%), antialérgicos (1,9%) e antibióticos (1,8%), movimento que se soma aos reajustes anuais autorizados para o setor. Além disso, higiene e beleza também contribuíram, com maquiagem e produtos para a pele encarecendo em torno de 2%. Nos serviços, hospitalização e cirurgia avançaram 1,2%.

Transportes apontou alta de 0,40% (0,09 p.p.), enquanto os combustíveis proporcionaram alívio no varejo (etanol, com -1,7%; óleo diesel, com -0,7%; e gasolina, com -0,4%). O aperto veio inteiramente dos serviços, com a passagem aérea avançando 7%, sazonalmente pressionado nas férias escolares.

Os alimentos foram marcados por quedas expressivas nos hortifrútis, que vinham pressionando o índice. O tomate despencou 26,4%, a batata-inglesa recuou 14,8% e a cenoura caiu 6,9%. No entanto, foram parcialmente compensadas por altas em alguns itens, como mamão (7,1%), cebola (3%), carne de porco (1,6%) e iogurtes (1,55%).  A composição da cesta explica as altas de 0,18% e 0,16% para as classes A e B, uma vez que nessas cestas têm presença maior de determinados itens que ficaram mais caros. Já para as classes D e E, os preços ficaram estáveis, em virtude das quedas de itens mais básicos de grande peso no consumo das famílias de menor renda.

Contudo, de forma geral, as faixas de renda menor foram as mais afetadas: as classes D e E registraram a maior variação do mês, ambas com 0,53%, seguidas pela classe C e pela classe A (0,44% e 0,43%). A classe B apontou o menor avanço (0,36%). Essa assimetria reflete o peso da conta de energia elétrica no orçamento familiar. No acumulado de 12 meses, a disparidade persiste, com as classes D (5,56%) e E (5,44%) seguindo acima das classes B (4,47%) e A (4,67%).

Nota metodológica

CVCS

O Custo de Vida por Classe Social (CVCS), formado pelo Índice de Preços de Serviços (IPS) e pelo Índice de Preços do Varejo (IPV), utiliza informações da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE e contempla as cinco faixas de renda familiar (A, B, C, D e E) para avaliar os pesos e os efeitos da alta de preços na região metropolitana de São Paulo em 247 itens de consumo. A estrutura de ponderação é fixa e baseada na participação dos itens de consumo obtida pela POF de 2008/2009 para cada grupo de renda e para a média geral. O IPS avalia 66 itens de serviços, e o IPV, 181 produtos de consumo.

Fonte : https://www.fecomercio.com.br

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