O varejo vai precisar de mais caixa. A IA pode ajudar a encontrar onde ele está

A mudança na dinâmica dos tributos pode pressionar o caixa do varejo e tornar ainda mais estratégica a gestão de estoques, compras, pricing e margem

Depois de um artigo sobre as maravilhas da experiência que o varejo italiano proporciona aos clientes nas lojas físicas, vamos a algo menos glamoroso, mas extremamente importante.

Nosso varejista está atordoado. Há “pepinos” demais no dia a dia. Creio que ainda não houve tempo para ele perceber – e, quiçá, entender – o tamanho do imbróglio da reforma tributária que vem por aí, já a partir de 2027.

Chamo a atenção para um dos temas, importante e divisor de águas: o problema econômico para o varejista, o split payment.

Hoje, parte relevante do fluxo financeiro permanece temporariamente dentro do ciclo operacional. Com o split, uma parcela do tributo é retirada na liquidação financeira da venda.

Portanto:

Venda → recebimento → imposto

Pode se transformar em:

Venda → imposto segregado imediatamente → recebimento líquido

Isso pode aumentar a necessidade de capital de giro. E, se o varejista precisa de mais capital de giro, a primeira pergunta não deveria ser “quanto dinheiro devo pegar emprestado?”, mas “quanto capital estou desperdiçando no meu estoque?”

É exatamente aí que soluções de IA agêntica, preditivas e prescritivas entram. Como olham para frente, identificam várias oportunidades de liberar capital ou caixa para o varejista. De qualquer porte.

Vejamos como estas plataformas podem ajudar. Eu vejo pelo menos seis alavancas:

1. Estoque excessivo

Uma primeira oportunidade está no estoque excessivo. Uma plataforma pode identificar, por exemplo, que determinada operação carrega R$ 600 mil acima do nível necessário. Reduzir compras e permitir que o estoque retorne a um nível mais adequado libera capital.

2. Estoque parado

O segundo ponto é o estoque parado. Imagine R$ 300 mil em produtos com mais de 90 dias de permanência. Parte desse estoque pode exigir markdown, transferência para outra loja, venda promocional, redução de compras futuras ou até eliminação do sortimento. O objetivo é transformar estoque em caixa antes que ele perca ainda mais valor.

3. Compra mais precisa

A terceira frente está na precisão das compras. Aqui talvez esteja uma das maiores oportunidades. Se o varejista compra R$ 1 milhão por mês e consegue reduzir 8% de compras desnecessárias, são R$ 80 mil que deixam de ser imobilizados por mês. Não significa necessariamente economia de custo. Significa menos capital preso.

4. GMROI (Gross Margin Return on Inventory Investment, ou Retorno de Margem Bruta sobre o Investimento em Estoque) 

Há ainda uma dimensão particularmente importante: o GMROI, indicador que relaciona a margem bruta gerada ao capital investido em estoque. Ele ajuda a mostrar onde o dinheiro colocado no estoque está produzindo retorno e onde está produzindo pouco.

Imagine duas categorias. A categoria A tem R$ 400 mil em estoque e gera R$ 800 mil de margem bruta, com GMROI de 2,0. A categoria B tem R$ 500 mil em estoque e gera R$ 400 mil de margem bruta, com GMROI de 0,8.

Reduzir capital na categoria B e aumentar a exposição à categoria A é gestão de capital de giro, não apenas gestão de estoque.

5. Transferência entre lojas

O mesmo raciocínio vale para transferência entre lojas. Imagine R$ 250 mil de estoque excessivo em determinadas lojas e R$ 180 mil de estoque insuficiente em outras. Por que comprar mais antes de utilizar melhor aquilo que a própria rede já tem? Antes de colocar mais dinheiro no estoque, use melhor o estoque que você já tem.

6. Pricing e markdown

Aqui entra uma segunda dimensão. Se a plataforma identifica R$ 200 mil de estoque parado e consegue acelerar sua liquidação, ela transforma capital imobilizado em caixa. Mesmo que haja redução de margem unitária, pode ser financeiramente racional. É aqui que elasticidade + markdown + GMROI começam a formar uma solução de capital de giro muito mais sofisticada.

É nesse ponto que elasticidade, markdown e GMROI começam a formar uma solução de capital de giro muito mais sofisticada. A plataforma pode sinalizar:

Capital potencialmente liberável: R$ 700 mil

E mostrar de onde esse dinheiro pode vir:

  • Estoque excessivo — R$ 280 mil
  • Estoque parado — R$ 170 mil
  • Compras futuras — R$ 120 mil
  • Transferências — R$ 80 mil
  • Pricing/markdown — R$ 50 mil

Moral da história

A alteração do momento do acerto com o governo, na questão dos tributos, ou parte deles, impacta em duas frentes importantes: a da sonegação e a do fluxo de caixa.

Quanto à primeira, particularmente, sou contra. E nem a IA vai ajudar a resolver. Sobre a segunda: adote, para ontem, plataformas que ajudem a melhorar sua eficiência operacional e comercial. O split payment muda a lógica do amadorismo e outras práticas do varejo. O foco passa a ser eficiência.

Agora, este é o nome do jogo. Quem não jogar vai ter o último prego no caixão. O split payment pode consumir mais capital de giro. A plataforma encontra o capital que está preso no seu estoque.

Fonte : https://mercadoeconsumo.com.br/31/08/2026/noticias-varejo/o-varejo-vai-precisar-de-mais-caixa-a-ia-pode-ajudar-a-encontrar-onde-ele-esta/?utm_medium=email&utm_campaign=news_geral__-_3108&utm_source=RD+Station

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