Volume de serviços estagna em julho, mas indicadores anuais confirmam desaceleração gradual da atividade – Economix 3 / 2026

O volume de serviços ficou estável (0,0%) em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, após alta de 0,1% no mês anterior, mas devemos ter cuidado com a análise pontual, já que a comparação mensal é a mais sujeita a ruído sazonal e a revisões. O indicador mais robusto é a comparação interanual: frente a julho de 2025, o setor cresceu 0,9%, 28º resultado positivo consecutivo, com avanço em três das cinco atividades pesquisadas e em metade dos 166 segmentos investigados. No acumulado de janeiro a julho, a alta foi de 1,9% ante igual período de 2025.

O dado que melhor sintetiza a tendência é o acumulado em 12 meses, que passou de 2,6% em junho para 2,4% em julho, terceiro recuo seguido após o pico de 2,7% observado em maio. O movimento confirma uma desaceleração em curso, mas de intensidade baixa, algo entre 0,1 e 0,2 ponto percentual por mês. É uma trajetória compatível com o esperado em um ciclo de juros ainda restritivo, com a atividade perdendo velocidade de forma gradual, e não com uma reversão brusca.

A relação entre volume e preços merece atenção. Enquanto o volume cresceu 0,9% na comparação anual, a receita nominal avançou 7,1% — um hiato de mais de 6 pontos percentuais que reflete o componente de preços embutido no faturamento das empresas de serviços. No acumulado em 12 meses, o padrão se repete: volume de 2,4% ante receita nominal de 7,5%. Essa distância elevada é consistente com a inércia de preços de serviços já identificada na leitura do IPCA, e sugere que boa parte do crescimento nominal do setor decorre de repasse de custos e reajustes, não de expansão real da demanda, ponto relevante para a leitura do Copom sobre a persistência da inflação de serviços.

O recorte de 12 meses reforça uma desaceleração desigual entre atividades: informação e comunicação segue na liderança (5,9%), mas já perdendo ritmo frente aos 6,8% observados poucos meses atrás; profissionais e administrativos mantêm-se estáveis (2,6%); enquanto transportes praticamente estagnou no acumulado anual (0,4%), reflexo direto da fraqueza persistente do transporte aéreo.

O padrão indica que a desaceleração do setor de serviços não é uniforme — concentra-se nos segmentos mais expostos a transporte e logística, enquanto os ramos ligados a tecnologia e consumo das famílias seguem como motores de crescimento, ainda que também em ritmo mais lento que no início do ano.

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