PMC de Julho de 2026: queda mensal esconde desaceleração mais estrutural, e o hiato entre volume e receita nominal expõe o peso dos preços no varejo

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O volume de vendas do varejo restrito recuou 0,8% em julho ante junho, na série com ajuste sazonal, revertendo a alta de 0,3% do mês anterior. A média móvel trimestral, medida mais estável para captar a tendência, variou 0,1% no trimestre encerrado em julho, após -0,2% no trimestre encerrado em junho — ainda negativa, mas com sinal de estabilização na margem. O dado que mais preocupa, porém, é o ano contra ano: frente a julho de 2025, o volume cresceu apenas 1,2%, forte desaceleração ante o avanço de 2,8% em junho. É o segundo mês seguido de perda de fôlego na comparação interanual, reforçando que o varejo está, de fato, perdendo força.

Os acumulados confirmam essa trajetória: no ano, o varejo restrito soma alta de 1,8%, e, em 12 meses, de 1,6% patamares já distantes do ritmo mais vigoroso de 2024, consistentes com o efeito defasado da Selic ainda restritiva sobre bens duráveis e de maior valor. O varejo ampliado, que inclui veículos, material de construção e atacado de alimentos, mostra o mesmo padrão de forma ainda mais nítida: cresceu 1,8% no ano contra ano de julho, mas acumula apenas 1,9% no ano e 1,2% em 12 meses, evidenciando que os segmentos financiados a crédito seguem mais pressionados pelo custo do dinheiro do que o consumo corrente.

O dado mais preocupante de julho está na comparação entre volume e receita nominal. Enquanto o volume do varejo restrito cresceu 1,2% no ano contra ano, a receita nominal avançou 5,2%, um hiato de quatro pontos percentuais que só se explica por preços: o varejo está faturando mais, mas vendendo proporcionalmente pouco mais, com a diferença capturada por reajustes nas prateleiras. No acumulado em 12 meses, o padrão se repete com intensidade um pouco menor: volume de 1,6% ante receita nominal de 4,8%, diferença de cerca de três pontos. No varejo ampliado, a distância é semelhante — volume de 1,2% ante receita nominal de 3,7% em 12 meses. Esse hiato de preços, superior à própria inflação cheia do IPCA, sugere que o repasse de custos pelo varejo segue mais rápido do que a recomposição de volume vendido, o que comprime margens e mascara uma atividade real mais fraca do que o faturamento sugere isoladamente.

Para os próximos meses e o fechamento do ano, o cenário mais provável é de continuidade dessa desaceleração gradual, com o varejo restrito convergindo para um ritmo anual próximo do acumulado atual e distante do impulso de 2024. O efeito da Selic ainda restritiva sobre bens duráveis e financiados deve seguir se manifestando com defasagem mesmo com o Copom já cortando juros, sustentando a fraqueza desses segmentos por mais alguns trimestres. Enquanto o hiato entre receita nominal e volume permanecer elevado, o desempenho nominal do setor deve continuar superestimando a real recuperação da demanda, exigindo cautela na leitura de qualquer notícia de “recorde de faturamento” do comércio nos próximos meses.

Fonte : ECONOMIX – 4 / 2026

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