Canal indireto mantém crescimento no ano, mas agosto reforça desaceleração do consumo

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Os dados mais recentes do Termômetro ABAD – Inteligência de Mercado, estudo realizado periodicamente pela ABAD em parceria com a NielsenIQ/Mtrix, mostram que o Canal Indireto mantém resultado positivo no acumulado de 2026, mas os indicadores de agosto reforçam um cenário de perda de ritmo do consumo no curto prazo.

Entre janeiro e agosto, o faturamento do Canal Indireto cresceu +3,6% em relação ao mesmo período de 2025, acompanhado por avanço de +0,9% nas unidades vendidas. O resultado continua sendo sustentado principalmente pelo aumento do preço médio, de +2,7%, e do ticket médio por ponto de venda (PDV), que avançou +5,7%. No mesmo período, entretanto, o total de PDVs recuou -1,9%.

Quando observado apenas o mês de agosto, a desaceleração fica evidente. Na comparação com agosto de 2025, o faturamento caiu -1,7%, enquanto as unidades vendidas recuaram -3% e o total de PDVs apresentou retração de -3,4%. O preço médio cresceu +1,3% e o ticket médio por PDV avançou +1,8%, amenizando parcialmente os efeitos da redução do volume e da base de pontos de venda.

Os resultados mostram uma mudança em relação aos primeiros meses do ano. Embora o acumulado permaneça positivo, agosto reúne quedas simultâneas em faturamento, volume e número de PDVs, indicando menor dinamismo do mercado no período.

Varejo alimentar mantém crescimento

No Varejo Alimentar, o desempenho acumulado entre janeiro e agosto permanece positivo. O faturamento cresceu +5,2%, com alta de +0,4% nas unidades vendidas, +4,8% no preço médio e +7,3% no ticket médio por PDV. Em contrapartida, o total de pontos de venda recuou -2%.

Todas as regiões brasileiras registraram crescimento de faturamento, preço médio e ticket médio no acumulado do ano. O comportamento do volume, porém, foi desigual: Sudeste, Nordeste e Norte tiveram aumento de +1%, +1,7% e +3,4%, respectivamente, enquanto Sul e Centro-Oeste registraram quedas de -4,3% e -1,5%. A redução da base de PDVs ocorreu em todas as regiões, sendo mais expressiva no Centro-Oeste, com retração de -3,6%.

Em agosto, na comparação anual, o Varejo Alimentar ainda conseguiu registrar crescimento de +1,2% no faturamento, mesmo diante da queda de -2,3% no volume de vendas e de -2,4% no total de PDVs. O resultado foi sustentado pelo aumento de +3,5% no preço médio e de +3,6% no ticket médio por PDV.

Regionalmente, o Norte apresentou um comportamento diferente do restante do país em diversos indicadores. Foi a única região em que o volume vendido aumentou, com alta de +4,9%, e também a única a registrar crescimento da base de PDVs, de +1,1%. Ao mesmo tempo, foi a única região em que o preço médio recuou, com queda de -0,7%.

O ticket médio, por sua vez, aumentou em todas as regiões brasileiras no mês. O avanço mais expressivo foi observado no Nordeste, com alta de +6,5%.

Food service perde força após recuperação observada em junho

O Food Service também permanece positivo no acumulado de 2026. Entre janeiro e agosto, o faturamento cresceu +6,1%, acompanhado por altas de +1,5% nas unidades vendidas, +4,6% no preço médio, +0,5% no total de PDVs e +5,6% no ticket médio por ponto de venda.

Todas as regiões apresentaram crescimento de faturamento, preço médio e ticket médio no período. Nos demais indicadores, o Centro-Oeste foi a única região a registrar redução da base de PDVs, de -1%. Já o volume de vendas recuou no Sul (-4,3%) e no Centro-Oeste (-1,6%).

A evolução mensal, entretanto, aponta perda de força. Depois de atingir seu melhor desempenho em março, o Food Service desacelerou nos meses seguintes. Houve recuperação em junho, impulsionada pelo crescimento das vendas, do volume e do ticket médio por PDV, mas o canal voltou a perder ritmo em julho e agosto.

Na comparação entre agosto de 2026 e agosto de 2025, o faturamento do Food Service caiu -2,2%, enquanto o volume de vendas apresentou leve retração de -0,1%. O preço médio recuou -2,1% e o total de PDVs diminuiu -2,4%. O ticket médio foi o único indicador nacional a permanecer positivo, com avanço de +0,2%.

A redução da base de PDVs ocorreu em todas as regiões no mês, com a maior queda no Centro-Oeste (-4,7%). O faturamento também recuou na maior parte do país: somente o Nordeste registrou crescimento, de +2,8%, em relação a agosto do ano anterior.

Indicadores gerais

Os dados gerais de mercado apresentados no relatório ajudam a contextualizar os resultados observados no Canal Indireto. Em agosto, considerando o mercado mais amplo analisado pelo estudo, houve crescimento em valor e unidades na comparação com o mesmo mês de 2025, mas com sinais de desaceleração do consumo no curto prazo.

Entre os canais, Farma se destacou pelo crescimento em valor, enquanto, em unidades, além de Farma, o Cash&Carry também apresentou desempenho de destaque. Regionalmente, o Sul registrou crescimento em valor acima da média brasileira.

Na análise por cestas, Farmácia, Limpeza, Bebidas e Higiene e Beleza apresentaram crescimento em valor superior ao das demais categorias acompanhadas.

O Termômetro ABAD utiliza informações reais de vendas (sell through) do Canal Indireto no mercado de bens de consumo. O relatório mais recente analisou mais de 1,1 milhão de PDVs e 2,6 mil distribuidores. No recorte do mercado de alimentos, a análise do Varejo Alimentar contou com mais de 711 mil pontos de venda, enquanto o Food Service reuniu mais de 551 mil estabelecimentos.

Fonte : https://abad.com.br/

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