Palestra promovida pelo Comitê de Segurança e Medicina do Trabalho do Sincovaga-SP mostrou como a gestão preventiva pode reduzir custos e gerar ganhos financeiros para as organizações
SÃO PAULO, SETEMBRO de 2026 – A gestão do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) como instrumento estratégico para reduzir custos e, ao mesmo tempo, fortalecer as políticas de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) foi tema da palestra realizada pelo Comitê de Segurança e Medicina do Trabalho do Sincovaga-SP no dia 16 de setembro. O encontro, conduzido pelo Dr. Ricardo Pedreschi Pasquali, ocorreu em formato on-line e presencial, na sede do Sincovaga -SP.
Durante a apresentação, o especialista destacou que o FAP pode contribuir para uma mudança de paradigma dentro das empresas: deixar de enxergar a SST apenas como uma obrigação ou centro de custos e passar a tratá-la como investimento capaz de gerar retorno financeiro. A gestão adequada dos indicadores de acidentes, afastamentos e doenças ocupacionais pode produzir impacto direto nos resultados, especialmente em organizações com grandes folhas de pagamento.
O FAP é um multiplicador aplicado à alíquota do Riscos Ambientais do Trabalho (RAT), podendo reduzir a contribuição em até 50% ou aumentá-la em até 100%, conforme o desempenho da empresa em relação aos acidentes e benefícios relacionados ao trabalho. Seu cálculo considera índices de frequência, gravidade e custo, comparando empresas pertencentes ao mesmo CNAE-subclasse.
Um dos pontos abordados foi a importância de acompanhar os benefícios que interferem no cálculo do FAP. Segundo a apresentação, o benefício por incapacidade temporária decorrente de acidente de trabalho (B91) está entre os principais fatores de impacto. O índice final considera 35% de frequência, 50% de gravidade e 15% de custo. A palestra também chamou atenção para situações que podem ser contestadas, como a inclusão indevida de acidentes de trajeto no cálculo.
Gestão deve começar antes da divulgação do FAP
Para Ricardo Pasquali, a análise do extrato do FAP depois de sua divulgação é uma atitude essencialmente reativa. A estratégia mais eficiente, conforme apresentada no encontro, é trabalhar de forma contínua e preventiva, identificando as causas dos afastamentos e implementando ações antes que os eventos tenham impacto nos indicadores futuros.
Entre as medidas recomendadas estão a conferência do CNAE da empresa, a análise detalhada do extrato do FAP, a investigação das causas dos afastamentos e a criação de planos de ação preventivos. O acompanhamento de determinados grupos de CID, o registro sistemático de atestados e o contato humanizado com trabalhadores também foram destacados como ferramentas importantes para identificar precocemente situações que podem resultar em afastamentos.
Outro recurso apresentado foi o Programa de Adequação Temporária de Atividades (Programa Prata), que envolve uma equipe multidisciplinar na avaliação das limitações do trabalhador e na proposição de adaptações temporárias. A iniciativa busca viabilizar um retorno seguro às atividades e, quando possível, evitar o afastamento previdenciário.
Economia pode superar R$ 300 mil por ano
Para demonstrar o impacto econômico da gestão do FAP, o palestrante apresentou o caso de uma empresa com folha salarial média de R$ 2,1 milhões por mês e FAP de 1,0473, influenciado por dois benefícios B91. Após a contestação bem-sucedida dos benefícios, o FAP foi reduzido para 0,5, gerando economia anual superior a R$ 300 mil para a unidade. Em dois anos, o impacto potencial ultrapassaria R$ 600 mil.
O exemplo também foi utilizado para dimensionar o retorno do investimento em SST: considerando uma margem média de lucro de 2,9% no varejo de alimentos, a economia obtida equivaleria ao lucro líquido gerado por aproximadamente R$ 21 milhões em faturamento.
Ao concluir, Pasquali reforçou a necessidade de integração entre as áreas de saúde, segurança, jurídico e recursos humanos. “A proposta é transformar a prevenção em uma estratégia permanente, capaz de proteger trabalhadores e contribuir para a sustentabilidade financeira das empresas. Trata-se de investir hoje para gerar resultados no futuro, com foco em ‘pessoas saudáveis e empresas fortes’”, completou.
A palestra é uma iniciativa que integra as ações permanentes do Comitê de Segurança e Medicina do Trabalho do Sincovaga-SP, que reúne mais de 1,2 mil profissionais do varejo alimentar e conta com o apoio institucional da Associação Brasileira de Ergonomia e Fatores Humanos (ABERGO), Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) e da Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho (ABRESST).
O Comitê tem como missão disseminar conhecimento técnico, incentivar boas práticas em saúde ocupacional e contribuir para ambientes de trabalho mais seguros, produtivos e sustentáveis.
Assista a palestra na íntegra clicando aqui.
Mais informações sobre o Comitê e como participar: https://sincovaga.com.br/comite-de-seguranca-e-medicina-do-trabalho/
Fonte : Presstalk Comunicação Corporativa – Assessoria de imprensa do Sincovaga-SP