Desemprego em 5,3% se aproxima do piso e expõe os limites do ciclo de emprego – Economix 06 / 2026

Economia

Segundo a PNAD Contínua mensal, divulgada no último dia 29 de setembro pelo IBGE, o mercado de trabalho encerrou o trimestre até agosto com a taxa de desocupação em 5,3%, o menor patamar da série já registrado para o período. Ante o trimestre março-maio, quando estava em 5,6%, a taxa recuou 0,3 ponto percentual, mantendo a trajetória de queda. Mais relevante, porém, é o que a comparação anual revela: a diferença de 0,3 ponto frente ao mesmo período de 2025 é a mais estreita desde a normalização pós-pandemia, sinal de que o recuo do desemprego perdeu velocidade e a taxa já opera muito próxima de seu piso.

Com a população ocupada em nível recorde, de 103,5 milhões, e o emprego com carteira no setor privado também no maior patamar da série, de 39,5 milhões, o país absorveu quase toda a folga que existia — um avanço de boa qualidade, por vir puxado pelo trabalho formal.

Esse aproveitamento quase pleno da força de trabalho sustenta uma economia ainda ativa, e a renda é a evidência mais clara disso. O rendimento médio real do trabalhador alcançou R$ 3.777, alta de 3,7% em um ano, e a massa de rendimento seguiu crescendo em ritmo saudável, somando R$ 385,6 bilhões no trimestre, alta de 4,8% na mesma comparação, o que mantém o consumo resiliente mesmo sob juros restritivos. O ponto de atenção está no destino desse ganho: parte relevante não chega efetivamente às famílias, drenada pelos juros altos, que encarecem o crédito e pesam sobre as dívidas, pela carga tributária e pelo dinheiro que vinha sendo direcionado às apostas online (as Bets), que capturavam fatia cada vez maior do orçamento doméstico sem retorno em consumo produtivo — pressão que a proibição recém-anunciada tende a aliviar daqui em diante.

O saldo é positivo, mas acende um alerta: o espaço para novos ganhos está se estreitando por vários flancos ao mesmo tempo. Em quantidade, não há mais um contingente relevante fora do mercado que possa entrar em massa nas estatísticas e sustentar a criação de vagas no ritmo recente. Em qualidade, a informalidade ainda elevada limita a força de eventuais avanços de renda. E, no poder de compra, a inflação se mantendo na faixa de 4% a 5% também não traz ganhos relevantes adicionais de poder de compra real. Em conjunto, esses fatores indicam que o modelo de crescimento apoiado em incorporar mais trabalhadores está chegando ao seu limite natural.

Para os próximos trimestres, o cenário mais provável é de estabilidade da desocupação em torno do piso atual, com oscilações pontuais, já que o mercado tem pouca margem tanto para recuar mais quanto para se deteriorar de forma abrupta. A questão central deixa de ser quantas pessoas ainda podem ser empregadas e passa a ser quanto cada trabalhador consegue produzir: esgotado o espaço para ganhos via volume, a via consistente de elevação da renda passa a ser o aumento da produtividade — justamente o gargalo histórico da economia brasileira, um desafio de décadas que depende de investimento, qualificação e melhoria do ambiente de negócios. Enquanto a produtividade não reagir, o mais realista é esperar uma renda que ainda cresce, mas em ritmo cada vez mais contido.

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