Solução inédita transforma comandos de texto e voz em análises, campanhas a consumidores e argumentos de negociação com a indústria, reduzindo a dependência de equipes especializadas
Cricaré, Delta, Nordestão e Tonin devem ser as primeiras redes varejistas de alto giro no Brasil a experimentar a tecnologia
A idEver, empresa especializada em soluções de gestão do relacionamento com clientes para supermercadistas, que atende redes de médio e grande porte como Nordestão, Confiança e ABC, acaba de lançar o MCP idEver, primeira solução do segmento que conecta ferramentas como ChatGPT, Claude e Grok às informações do CRM integradas aos ERPs e pontos de venda das redes. Cricaré, Delta, Nordestão e Tonin devem ser as primeiras redes varejistas de alto giro no Brasil a testar a solução. Por meio de perguntas feitas por texto ou voz, a tecnologia cruza o histórico de consumo e entrega análises para aumentar a eficiência das campanhas e fortalecer a negociação com a indústria. Na prática, o MCP idEver transforma milhões de registros de compras, em operações que podem reunir mais de 14 mil SKUs, em respostas de negócio.
Retalhistas de Mercearia e Produtos Alimentares
Com isso, gestores acessam informações estratégicas e tomam decisões comerciais sem depender da navegação por dashboards, da combinação de filtros ou de relatórios preparados por especialistas em CRM e BI. A consulta aos dados é feita em tempo real e a solução também pode consultar dados externos de bases públicas para complementar as análises.
A solução permite identificar mudanças na frequência de compra, categorias que ganharam ou perderam espaço na cesta, marcas que disputam a preferência de determinados públicos e consumidores com maior propensão a uma oferta. As mesmas informações chegam às áreas comercial e de compras como argumentos para negociar preços, condições de compra, verbas promocionais, sortimento e campanhas compartilhadas com fornecedores. “A inteligência artificial amplia o valor econômico do CRM porque leva os dados a quem define a estratégia. Marketing, comercial e compras passam a acessar o mesmo conhecimento sobre o consumidor para tomar decisões de venda e negociar com fornecedores”, diz Thiago Spejo, sócio-fundador e CEO da idEver.
O MCP idEver conecta grandes modelos de linguagem, os chamados LLMs, à base de dados dos varejistas. LLM é a tecnologia que permite a ferramentas como ChatGPT, Claude e Grok compreender perguntas feitas em linguagem comum. O MCP (Model Context Protocol) é o protocolo que dá a esses modelos acesso autorizado aos dados e às funcionalidades da plataforma da idEver.
Gestão de dados
A diferença em relação aos MCPs que já chegaram ao mercado está na natureza e na escala das informações. As soluções existentes concentram-se, em geral, em rotinas comerciais como atração e qualificação de leads, agendamento de reuniões e envio de propostas. O MCP idEver foi desenvolvido para consultar dados transacionais do varejo alimentar por meio de uma plataforma integrada aos ERPs e pontos de venda das redes.
Uma operação supermercadista pode trabalhar simultaneamente com 12 mil a 14 mil SKUs e registrar milhões de compras. A inteligência artificial precisa cruzar esse volume com informações sobre frequência, cesta, marcas, sazonalidade e efeito das ofertas. É essa complexidade que torna a aplicação inédita no segmento. “O gestor deixa de precisar saber em qual painel está a informação ou esperar que uma equipe prepare o relatório. Ele pergunta o que precisa saber e recebe uma análise construída a partir dos dados da empresa. É isso que democratiza o acesso ao CRM”, explica Spejo.
Mais eficiência nas campanhas
Para as áreas de marketing e relacionamento, o ganho está em transformar o histórico de consumo em segmentações mais precisas. A solução poderá mostrar quem reduziu a frequência de compra, quais categorias ganharam participação na cesta, marcas que perderam espaço e quais grupos apresentam maior potencial para uma oferta. A partir da análise, o usuário poderá estruturar uma campanha na mesma interação. “Uma promoção pode elevar o volume sem aumentar o resultado quando apenas concede desconto a quem já compraria o produto. Ao comparar o comportamento antes e depois da campanha, o varejista avalia se a ação elevou a recorrência, ampliou o tíquete médio ou estimulou a compra de uma nova categoria”, explica Spejo.
Vendas
A segmentação também reduz desperdícios com mensageria, já que cada contato por WhatsApp, SMS ou outro canal representa um custo. Ao selecionar com mais precisão quem deve receber cada oferta, o supermercado concentra o investimento nos consumidores com maior potencial de resposta e evita comunicações pouco relevantes. “O salto acontece quando a pergunta leva à ação. A empresa identifica uma oportunidade, define o público e transforma a análise em uma campanha. O dado deixa de ficar restrito ao relatório e passa a produzir uma decisão comercial”, acrescenta o CEO.
Além das perguntas: agentes que transformam dados em recomendações
Agora, com essa tecnologia nas mãos do varejista, abre-se uma possibilidade muito maior do que simplesmente fazer perguntas para os dados. Análises que antes exigiriam olhar individualmente centenas de marcas, categorias e SKUs podem acontecer de forma automatizada, com agentes analisando continuamente a relação entre as marcas, identificando onde existe oportunidade de ganho de share, quais categorias e SKUs fazem mais sentido trabalhar, onde está a melhor relação de ROAS e quais estratégias têm maior potencial de retorno. Os agentes também podem traçar diferentes cenários, simular resultados, medir o que aconteceu e ir se ajustando conforme novos dados entram.
Empresas e indústrias
Uma das possibilidades mais interessantes é cruzar os dados internos do varejista com sinais externos. Uma corrida de rua importante em determinada cidade, por exemplo, pode ser identificada pela própria tecnologia, que entende quais lojas estão próximas, cruza essa informação com o comportamento dos shoppers daquela região, avalia margem, histórico de vendas e potencial de retorno e, a partir disso, monta uma estratégia específica para aquela loja ou cidade. O papel do gestor passa a ser muito mais de decisão: aprovar, ajustar ou rejeitar. O dado deixa de ser somente algo que o varejista consulta quando tem uma dúvida e passa a ser observado continuamente pelos agentes, que cruzam sinais internos e externos para encontrar oportunidades que, muitas vezes, nenhum humano teria tempo de procurar.
Poder de barganha frente à indústria
Na relação com os fornecedores, o ganho está em reduzir a assimetria de informação. A indústria conhece custos, produção, preços e os objetivos de cada marca. O varejista detém os dados sobre o comportamento do consumidor no ponto de venda, mas nem sempre consegue transformá-los em argumentos acessíveis à equipe de negociação.
Aprendizagem automática e inteligência artificial
Com o MCP idEver, a área comercial poderá verificar a penetração de uma marca, a recorrência dos compradores, os concorrentes presentes na mesma cesta e o desempenho da categoria. Essas evidências podem embasar melhores condições de compra, ampliar a discussão sobre verbas de trade marketing, orientar o sortimento ou sustentar uma campanha compartilhada com o fornecedor. “Em um setor de margens reduzidas, o poder de barganha aumenta quando o supermercado demonstra o valor de sua base de consumidores e o potencial de uma marca ou categoria dentro da rede”, avalia Spejo.