Pequenos negócios geraram 59% dos empregos formais em 2026

Para valorizar as MPEs, associações comerciais reivindicam correção do Simples Nacional, redução das taxas de juros e flexibilização da jornada de trabalho. Eduardo Marques (na foto), dono da Mundo da Pizza, em Brasília, foi responsável por gerar 20 desses empregos ao longo do ano.

No primeiro semestre de 2026, os pequenos negócios apresentaram um saldo positivo de 543.506 empregos formais gerados. Com esse resultado, as micro e pequenas empresas foram responsáveis por 59% do total de postos de trabalho com carteira assinada no Brasil, que ficou em 921.943.

No Dia do Empreendedor e da Micro e Pequena Empresa, comemorado em 5 de outubro, os dados tabulados pelo Sebrae a partir do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego mostram a relevância para a economia do país de quem mantém um pequeno negócio.

Responsável pela geração de 20 desses empregos em 2026, o empresário Eduardo Wagner Marques, proprietário da Mundo da Pizza, na região de Samambaia, no Distrito Federal, diz que empreender traz como uma das principais vantagens a liberdade para organizar a própria rotina.

“Você tem disponibilidade de horário, você faz o seu horário”, explica. Segundo ele, isso não significa necessariamente trabalhar menos, mas ter maior autonomia para fazer escolhas. “O empreendedor também pode ter potencial de ganhos maiores, à medida que se dedica mais ao negócio, além da possibilidade de inovar e ampliar constantemente seus conhecimentos”.  

Por outro lado, na avaliação de Marques, a rotina empreendedora envolve desafios importantes. “Atualmente está muito difícil a questão de mão de obra. Então é um desafio muito grande”, relata.

A carga tributária também aparece, para ele, entre as dificuldades, assim como a necessidade de manter pagamentos e despesas da empresa em dia. “É muito batalhado conseguir honrar tudo em dia”, destaca. Além disso, segundo Marques, o empreendedor precisa lidar com questões de gestão operacional e financeira, incluindo a separação entre as finanças pessoais e as da empresa. Para Eduardo são esses desafios que fazem parte da realidade de quem decide empreender.

Desafios diários

Ao comentar a data, o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, destaca a importância dos pequenos negócios para a economia brasileira, apesar dos desafios enfrentados diariamente pelo setor produtivo.

 “Independentemente de um cenário de grandes dificuldades, vamos sempre valorizar muito os empreendedores. Que esse dia seja registrado como um dia importante, sempre com os agradecimentos de toda a sociedade civil do Brasil pelo seu trabalho, seu empenho e pelo empreendedorismo brasileiro”, destaca Cotait.

Atualização do Simples Nacional

Líder do Sistema do Associativismo Nacional, Cotait defende a correção dos limites de faturamento do Simples Nacional como uma das prioridades para melhorar o ambiente de negócios para o empreendedor. “Seria tão bom se hoje pudéssemos comemorar e conseguíssemos fazer a correção do Simples Nacional, a correção do MEI. Seria tão bom se nós conseguíssemos garantir a continuidade do Simples, que está sendo desvirtuado na Reforma Tributária”, afirma.

A CACB tem mobilizado esforços em defesa da atualização do teto de enquadramento dos microempreendedores individuais (MEI), das microempresas e das empresas de pequeno porte no Simples Nacional. A entidade protocolou manifesto, como 1,5 mil assinaturas de federações e associações comerciais, junto aos ministérios da Fazenda e do Empreendedorismo e ao Sebrae reivindicando a correção. O documento também foi entregue a todos os candidatos à Presidência da República.

Juros e escala de trabalho

A Confederação propõe elevar o teto anual do MEI de R$ 81 mil para R$ 144,9 mil. Também pleiteia que o limite das microempresas passe de R$ 360 mil para R$ 869,4 mil, enquanto o teto das empresas de pequeno porte suba de R$ 4,8 milhões para R$ 8,69 milhões. A entidade ainda propõe a criação de um mecanismo permanente de atualização dos limites pela inflação, para evitar o acúmulo de novas defasagens.

Tema de preocupação dos empreendedores, o fim da escala de trabalho 6×1 é outro assunto, na visão do presidente da CACB, que precisa de mais debates antes de ser aprovado pelo Congresso Nacional. “Seria tão bom se pudéssemos ter as conquistas e a garantia que não vai ter a redução da jornada 6×1 de forma constitucional e sim flexível, para que pudéssemos discutir com todos os colaboradores qual é o melhor horário de cada setor”, afirma Cotait.

Em relação à elevada taxa de juros no país, Cotait reforça que é urgente a redução para melhorar as difíceis condições de crédito enfrentadas pelos pequenos negócios.  “Seria tão bom se a taxa de juros estivesse reduzida para ajudar os empreendedores que estão com tanta dificuldade para conseguir pagar os seus compromissos”, defende o presidente da CACB.

Sobre a data

O Dia do Empreendedor foi instituído por lei, em 1999, como uma homenagem à criação do Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. A legislação, considerada um marco para o setor produtivo, estabeleceu regulamentações e processos menos burocráticos para as empresas de menor porte, alterando questões tributárias e previdenciárias de forma significativa.

A data celebra os esforços dos empreendedores que buscam formas de alcançar a autonomia financeira e mais liberdade profissional. O Brasil tem cerca de 24 milhões de pequenos negócios como o CNPJ ativo.

Fonte : https://dcomercio.com.br/publicacao/s/pequenos-negocios-geraram-59-dos-empregos-formais-em-2026

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