`Jeitinho do interior’ é a aposta do Tauste para conquistar São Paulo

Após subir sete posições no ranking nacional, rede que nasceu em Marília já tem novas unidades no radar e aposta em modelo que combina supermercado e conveniência. Confira entrevista com Guilherme Rodrigues da Cunha, diretor de Ação Social da empresa.

Depois de mais de três décadas construindo sua trajetória no interior paulista, o Tauste Supermercados prepara um novo passo em sua expansão: a chegada à capital.

Fundada em Marília, em 1991, a rede, que começou com uma pequena loja de oito funcionários e três caixas, hoje reúne 11 unidades em cidades como Bauru, Campinas, Jundiaí, Sorocaba, São José dos Campos e Taubaté.

O Tauste tem um perfil premium, porém de público bem amplo. A rede destaca variedade, qualidade e diferentes categorias, mas também combina produtos básicos e preços competitivos com áreas mais sofisticadas, como adega, açougue, confeitaria e perecíveis.

A estreia em São Paulo será pela Zona Norte, com uma mega loja em Santana, na Rua Doutor Zuquim, com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026. O empreendimento terá mais de 40 operações comerciais de diferentes segmentos, como alimentação, tecnologia, saúde, moda e serviços.

A chegada à capital também terá impacto no mercado de trabalho. A unidade deverá gerar cerca de 700 empregos diretos e já iniciou o processo de contratação de profissionais para formar a equipe da nova loja.

O movimento ocorre em paralelo à expansão da rede, que também prepara sua primeira operação no ABC Paulista, em São Bernardo do Campo, e prevê uma segunda unidade na capital, em Santo Amaro, para 2028. Outras áreas também estão no radar da companhia.

Nesta entrevista, Guilherme Rodrigues da Cunha, diretor de Ação Social do Tauste, falou com o Diário do Comércio sobre os planos para São Paulo, revelando que a companhia mantém o radar aberto para novos terrenos, com áreas superiores a 20 mil metros quadrados, para ampliar a rede.

Com faturamento de R$ 3,5 bilhões no ano-base de 2024, segundo o Ranking Abras 2025, o Tauste alcançou a 32ª posição entre as maiores redes supermercadistas do país. No ranking anterior, referente ao ano-base de 2023, a rede ocupava a 39ª colocação. Segundo dados da Abras, o faturamento teve um crescimento de 18,4% no último ano.

A ascensão no ranking reforça o ritmo de crescimento da companhia, que, 35 anos depois de nascer em Marília, deixa de ser uma rede restrita ao interior e abre caminho para disputar um dos mercados mais competitivos do país.

Diário do Comércio – O que muda para o Tauste ao sair do interior e entrar no mercado de São Paulo?

Guilherme Cunha – Na verdade, não muda muita coisa. O que vamos oferecer em São Paulo é aquilo que já oferecemos nas lojas do interior. É basicamente a mesma plataforma. Nossos diferenciais estão no jeito de atender e na estrutura. Temos um treinamento muito forte dos funcionários. Nosso RH prepara as equipes para que o cliente realmente se sinta em casa. É essa experiência que vamos levar para São Paulo.

O que o Tauste tem que outros mercados não têm?

Cunha – Nosso slogan é “Tauste faz toda a diferença”. Chegamos a essa frase depois de uma ampla pesquisa de mercado para entender por que os clientes escolhiam o Tauste. Antes, nosso slogan era “Tauste, preços baixos todos os dias”, mas percebemos que o preço aparecia apenas em quinto lugar entre os fatores de escolha. Apesar de trabalharmos com preços muito competitivos, nosso diferencial está no conjunto da experiência. O cliente valoriza o atendimento, a qualidade dos produtos, o açougue, que trabalha exclusivamente com carnes frescas, a padaria e a rotisseria, além da limpeza e da organização das lojas. É esse conjunto de cuidados que faz a diferença.

Por que demorou 35 anos para chegar à capital?

Cunha – Acredito que foi uma questão de amadurecimento.  Nosso primeiro passo para fora de Marília aconteceu há mais de 20 anos, quando abrimos uma loja em Bauru. Depois vieram Sorocaba, Jundiaí, Campinas, São José dos Campos e outras cidades. Foi um processo natural de expansão e de amadurecimento da empresa. A capital é o principal mercado consumidor do Estado e, ao mesmo tempo, extremamente competitivo. Precisávamos estar suficientemente estruturados e maduros para dar esse passo com segurança. O Tauste é uma empresa conservadora, que não dá um passo maior do que a perna. Esses 35 anos foram importantes para adquirir experiência e chegar à capital preparados.

Por que o Tauste escolheu Santana para marcar sua estreia na capital paulista?

Cunha – Existe uma dificuldade muito grande para encontrar os terrenos que o Tauste precisa. Trabalhamos com áreas superiores a 20 mil metros quadrados, e não é fácil encontrar espaços desse tamanho disponíveis na capital. Tivemos muita sorte de encontrar uma área em Santana, um bairro espetacular, em uma via de grande acesso, a Rua Doutor Zuquim, e que atende não apenas Santana, mas toda a Zona Norte, uma região com uma população muito grande e diferentes perfis de consumidores.

A unidade de Santana será a maior da rede. O que o consumidor encontrará nessa loja que não encontra nas demais unidades?

Cunha – Será a nossa maior loja, mas a plataforma será a mesma. O que o consumidor encontra em São José dos Campos ou Campinas também encontrará em Santana. O que teremos é uma operação ampliada, em uma escala maior, mas com o mesmo mix e os mesmos diferenciais que já fazem parte das nossas lojas.

A operação terá 51 checkouts, mais de 40 lojas complementares, estacionamento coberto para 662 veículos. Qual é a estratégia por trás desse modelo de complexo?

Cunha – É o conceito de One Stop Shop: em uma única parada, o consumidor consegue resolver grande parte da sua vida. Ele pode ir à academia, ao cabeleireiro, fazer as compras do supermercado, almoçar, comprar um presente ou utilizar outros serviços. Teremos mais de 40 operações, distribuídas entre alimentação, saúde, tecnologia, moda e serviços, como lotérica. É um espaço que vai além de um supermercado. Ele tem um pouco de shopping e um pouco de supermercado, com a proposta de oferecer conveniência para a comunidade.

A chegada à capital faz parte de um plano maior de expansão do Tauste? Há outras cidades ou regiões de São Paulo no radar?

Cunha – Sim. Já estamos construindo uma unidade em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e as obras estão em estágio avançado. A expectativa é inaugurá-la em 2027. A operação seguirá o mesmo conceito da unidade de Santana. Continuamos com o radar aberto para novas unidades, tanto na Grande São Paulo quanto no interior. Nosso objetivo é crescer de maneira sólida e constante, mas sempre com os pés no chão.

Como o Tauste pretende competir em um mercado paulistano que reúne supermercados, atacarejos e grandes redes já consolidadas?

Cunha – Vamos levar para São Paulo o nosso “jeitinho do interior”. Todo mundo gosta de ser bem tratado, de se sentir acolhido e de perceber que é importante para o lugar onde está. É isso que fazemos. Temos um atendimento caprichoso, com o desejo de receber o cliente em nossa casa, com carinho e atenção. Esse jeito de atender foi fundamental para o sucesso que o Tauste construiu até aqui. Temos muito claro que nosso principal patrimônio são os nossos clientes. É para eles que dedicamos todo o nosso trabalho. Isso está profundamente enraizado na empresa e é justamente essa experiência que queremos levar para a capital.

O consumidor da capital tem um perfil diferente daquele das cidades do interior, onde o Tauste já atua? Como a operação foi adaptada?

Cunha – Não fizemos uma adaptação específica. Acreditamos que, independentemente de onde a pessoa mora, ela gosta de ser bem recebida. Todo mundo tem ou já teve aquela avó do interior que recebia a família com carinho, uma comida gostosa, um bolo quentinho e fazia você se sentir em casa. É um pouco dessa sensação que queremos levar para o consumidor da capital. Queremos que ele tenha a surpresa de encontrar esse atendimento especial e perceba a nossa gratidão por ele estar ali. Nossos colaboradores são treinados para isso.

Qual é o maior desafio para uma rede do interior conquistar o consumidor paulistano?

Estamos entrando agora na “cova dos leões”. É realmente uma briga de gigantes. Temos muito respeito por todos os nossos concorrentes, independentemente do tamanho ou do modelo de negócio — sejam supermercados, mercadinhos, atacarejos ou atacados. Ao mesmo tempo, acreditamos muito no nosso potencial de oferecer algo diferente. O Tauste não fica olhando para fora. Estamos olhando para dentro, para o nosso negócio, para aquilo que podemos fazer melhor. Acordamos todos os dias para trabalhar, investir, crescer e gerar empregos. Esse é o nosso propósito.

Qual é o investimento previsto para a implantação da unidade de Santana?

Cunha – Não divulgamos o valor do investimento. Mas serão mais de 700 empregos diretos e outros quase 700 ou mais empregos indiretos, considerando as lojas de apoio, a praça de alimentação e as demais operações do complexo. Esse é um grande investimento que estamos fazendo. Em um momento em que se fala em crise e dificuldades, o Tauste continua acreditando no país e investindo. Seguimos com o radar aberto para novas unidades, seja na Grande São Paulo ou no interior, sempre buscando um crescimento sólido, constante e com os pés no chão.

Fonte : https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/jeitinho-do-interior-e-a-aposta-do-tauste-para-conquistar-sao-paulo

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