Redução da jornada de trabalho leva empresas a avaliar novas escalas, ampliar investimentos em tecnologia e buscar ganhos de produtividade para preservar a competitividade
O fim da escala 6×1 coloca empresas de diferentes setores diante do desafio de reorganizar suas operações, adequar equipes e controlar custos sem comprometer a qualidade dos serviços e o desempenho financeiro. A mudança exige planejamento, especialmente em atividades que dependem de atendimento contínuo ao público, como varejo, farmácias, restaurantes e serviços terceirizados.
Segundo reportagem publicada pelo NeoFeed em 20 de outubro de 2026, assinada pelos jornalistas Moacir Drska e Sérgio Vieira, executivos de diferentes segmentos estão avaliando alternativas para se adaptar à nova jornada de trabalho. Entre as medidas consideradas estão a revisão de turnos, a contratação de funcionários, a automação de processos e a reorganização do funcionamento das unidades.
Varejo terá de encontrar alternativas para absorver custos
O comércio está entre os setores que enfrentam maiores desafios de adaptação, uma vez que muitas operações funcionam durante longos períodos e dependem da presença de equipes nas lojas. A redução da jornada semanal, sem diminuição salarial, pode exigir a ampliação do quadro de funcionários ou mudanças na distribuição dos horários de trabalho.
A reportagem destaca que redes de farmácias, restaurantes e varejistas estão testando diferentes modelos de escala para atender às novas exigências. No caso da Pague Menos, a empresa avalia alternativas para garantir a presença de farmacêuticos durante todo o período de funcionamento das unidades, considerando a necessidade de reorganizar as equipes e, eventualmente, rever o atendimento em lojas que operam 24 horas.
Já a rede de restaurantes Giraffas estuda a adoção de jornadas alternativas e o uso de ferramentas tecnológicas para reduzir parte do impacto financeiro. Entre as possibilidades está a ampliação de soluções digitais que permitam aos clientes fazer pedidos com menor dependência do atendimento presencial.
Automação ganha espaço na estratégia empresarial
A tecnologia aparece como um dos principais caminhos para elevar a produtividade e equilibrar os custos operacionais. No varejo, a adoção de caixas de autoatendimento pode reduzir a necessidade de mão de obra em determinadas funções, enquanto aplicativos e sistemas digitais podem contribuir para melhorar o trabalho das equipes.
Na logística e nos centros de distribuição, porém, a adaptação pode ser mais complexa. Operações que já trabalham com elevados níveis de produtividade e prazos rigorosos de entrega têm menos margem para reduzir equipes sem comprometer o desempenho. Por isso, algumas empresas avaliam ampliar o número de trabalhadores enquanto aceleram projetos de automação.
O setor de serviços terceirizados também precisa rever contratos e dimensionar equipes. Empresas de facilities, limpeza, segurança e alimentação corporativa estudam alternativas que incluem o uso de robôs em determinadas atividades e de drones em operações específicas de segurança.
A implementação dessas soluções, entretanto, depende de investimentos, da viabilidade técnica e da negociação com os clientes que contratam os serviços.
Reorganização interna e preservação do atendimento
Nem todas as empresas pretendem ampliar imediatamente seus quadros de funcionários. Parte dos executivos ouvidos pelo NeoFeed considera reorganizar as equipes existentes, revisar escalas e investir em treinamento para aumentar a eficiência.
Essa estratégia, contudo, traz riscos. A redução do número de funcionários por loja pode afetar o atendimento ao consumidor, especialmente nos horários de maior movimento. Por isso, as empresas terão de acompanhar os resultados das mudanças e avaliar se os ganhos de produtividade são suficientes para manter a qualidade dos serviços.
O desafio é conciliar o cumprimento das regras trabalhistas com a sustentabilidade financeira dos negócios. A adoção de novas tecnologias e a revisão de processos podem ajudar, mas os resultados dependerão das características de cada operação.
Planejamento será decisivo para a adaptação
A transição para uma jornada de trabalho menor exige decisões que vão além da elaboração de novas escalas. As empresas precisarão avaliar custos, dimensionar equipes, revisar contratos e identificar oportunidades para tornar suas operações mais eficientes.
No comércio, em particular, a capacidade de adaptação será determinante para preservar a competitividade, manter o nível de atendimento e absorver eventuais aumentos de despesas.
A mudança também reforça a importância do diálogo entre empresas, trabalhadores e entidades representativas, para que a implementação das novas regras considere as particularidades de cada atividade econômica e permita construir soluções sustentáveis para todos os envolvidos.
Fonte: https://neofeed.com.br/negocios/o-xadrez-dos-ceos-para-equilibrar-as-contas-com-o-fim-da-escala-6×1/