O varejo brasileiro registrou seu pior desempenho em volume de vendas entre o fim de abril e junho, período pós-Páscoa, segundo dados da NielsenIQ obtidos pelo Valor Econômico. Supermercados, atacarejos e farmácias foram impactados por preços ainda elevados, apesar da desaceleração da inflação, e por um endividamento das famílias que segue em patamar alto.
Antes da Páscoa, as vendas cresceram — alta de 16,5% em unidades e 28,5% em receita frente ao ano anterior, impulsionadas pela inflação. Porém, nas três semanas seguintes, houve forte retração, atribuída inicialmente à “ressaca” pós-festiva. Em junho, houve estabilidade, mas o crescimento anual médio de 2,3% ficou abaixo do acumulado do ano (3,5%).
O cenário reflete desafios como a inflação alimentar ainda relevante — chegando a 10% no acumulado do ano em algumas redes — e a cautela do consumidor, afetado pela baixa confiança econômica e política. Para Eugenio Foganholo, diretor da Mixxer, o impacto do dólar elevado desde 2024 e a percepção de aumento de impostos colaboraram para o enfraquecimento do consumo.
O atacarejo, responsável por 42% do faturamento do autosserviço no país, mostrou volatilidade, reflexo da dependência de commodities e da adição de serviços que encarecem a operação. Supermercados e hipermercados puxaram ainda mais a queda do volume total vendido, enquanto farmácias tiveram desempenho mais estável.
A circulação de consumidores nas lojas, medida pela Virtual Gate, também perdeu força: o fluxo cresceu 2,1% no segundo trimestre, desacelerando frente aos 3,7% do primeiro trimestre. O índice inclui lojas de rua, supermercados e shoppings.
Segundo a FGV, a confiança do consumidor caiu em junho, após três meses positivos, principalmente pela preocupação com as finanças pessoais. O ambiente econômico instável e o endividamento elevado mantêm o consumidor cauteloso, limitando a recuperação do varejo, mesmo com sinais de melhora na inflação e no emprego.
Fonte: Valor Econômico
Disponível em: valor.globo.com.