Café fica mais barato no supermercado, com safra maior. Tarifaço pode ajudar na redução de preços?

Economistas dizem que recuo ocorre por causa da safra maior; Ceagesp ainda não vê impacto das tarifas americanas nas cotações das frutas destinadas à exportação, como manga e uva.

O preço do pó de café, um dos vilões da inflação de alimentos nos últimos tempos, começou a ter um pequeno recuo nas prateleiras dos supermercados em julho. Mas, apesar do tarifaço de 50% imposto por Donald Trump ao produto brasileiro, o que poderia redirecionar as exportações para o mercado interno, especialistas afirmam que a retração atual de preços se deve à entrada da nova safra do

DadosCompanhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que a safra de café 2025 será de 55,7 milhões de sacas de 60 quilos de grão beneficiado. É 2,7% maior do que a de 2024, que foi fortemente castigada pelo clima durante o desenvolvimento das lavouras, com a maior quebra observada em Minas Gerais, o principal produtor.

A lavoura do café é conhecida pela bienalidade. Isto é, há alternância entre um ano de safra alta e o seguinte, de safra baixa. Neste ano, a bienalidade é de safra baixa. Mesmo assim, segundo a Conab, será a maior safra de baixa bienalidade da série histórica. Em relação à última safra de bienalidade baixa, que foi a de 2023, a safra deste ano será 1,1% maior.

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“Muito disso (queda de preços) está relacionado ao movimento de colheita, temos um aumento de oferta no momento”, afirma o pesquisador de café do Centro de Estudos Avançados em economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP), Renato Garcia Ribeiro.

O preço do café no atacado já tinha caído em junho (-11,01%), segundo dados do Índice Geral de Preços — Mercado (IGP-M), da Fundação Getulio Vargas (FGV) e recuou 22,52% em julho.

Os índices de preços ao consumidor já captaram esse movimento. No Índice de Preços ao Consumidor Amplo — 15 de julho, a prévia da inflação oficial do País, o preço do café recuou 0,36%, mas acumula em 12 meses alta de 76,50% nos últimos 12 meses e de 48,72% no ano.

No Índice de Preços ao Consumidor da Fipe do mês fechado de julho, que mede a variação das cotações na cidade de São Paulo, o preço do café caiu 3,03% e contribuiu para a deflação de 0,48% do grupo alimentação registrada no período.

“Os dados que a gente tem de preços ao consumidor ainda não pegam muito tempo pós-anúncio do tarifaço, teremos mais informações com o IPCA fechado de julho”, pondera Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos.

A tributação do Trump foi anunciada em 9 de julho e o efeito no IPCA-15 de julho é de apenas seis dias. Felipe Sales, economista-chefe do C6 Bank, faz coro com Marcela. “Não conseguimos ver objetivamente o impacto do tarifaço nos preços.

Atacado

Também nos preços dos alimentos no atacado, onde poderia ter sido detectado primeiro o impacto do tarifaço, esse movimento não está claro.

“Existem movimentos de queda para alguns itens, mas que não podem ser associados à questão da tarifa, já eram tendências”, afirma o economista da FGV/Ibre e coordenador de índices de preços da FGV, André Braz.

Segundo ele, as quedas de alimentos no atacado de produtos alvo do tarifaço dos EUA já vinham ocorrendo e as empresas informantes para apuração do IGP-M não notificaram recuos de preços em razão das taxas, como costumam fazer quando há algo excepcional.

Braz faz essas observações a partir dos resultados do IGP-M de julho, cuja coleta de preços é encerrada no dia 20 de cada mês. Portanto, o indicador de julho foi afetado apenas por 11 dias da ameaça do tarifaço.

Frutas

No varejo, a expectativa do consumidor é que frutas destinadas ao mercado americano, como uva, manga e mamão poderiam ser ofertados em maior volume no mercado doméstico e, com isso, o preço recuar.

O chefe da seção de Economia e Desenvolvimento da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), Thiago de Oliveira, informa, por meio de nota, que não detectou “impactos generalizados” na oferta de manga, uva e mamão. “Produtores e comerciantes seguem apreensivos, mas ainda não houve montantes expressivos de mercadorias destinadas a Ceagesp que seriam exportadas”, diz Oliveira.

No caso da manga Tommy, a principal variedade exportada, os preços no atacado subiram 7,4% no mês, informa a Ceagesp. Já manga da variedade Palmer, destinada ao mercado interno houve queda de 20,4% de preços no mesmo período.

Segundo Oliveira, alguns produtores de manga Palmer, temendo a queda de preços por conta da maior oferta da manga Tommy destinada à exportação, colheram a fruta e enviaram à Ceagesp. Também o clima mais frio afetou o consumo da fruta contribuiu para o recuo de preços.

Fonte : https://www.estadao.com.br/economia/cafe-barato-supermercado-tarifaco-precos

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