O Boletim Focus desta semana trouxe aceleração da desinflação esperada: a mediana do IPCA de 2025 caiu para 4,95% (−0,10 p.p. na semana), enquanto 2026 recuou de 4,41% para 4,40% e 2027 ficou em 4,00%. O movimento reforça a convergência gradual das expectativas, ainda acima da meta no curto prazo, mas em trajetória benigna. Foi a primeira vez no ano que a expectativa para o final de 2025 fechou abaixo de 5%.
Na atividade, as projeções ficaram estáveis no curto prazo e cederam no mais longo. O PIB de 2025 permaneceu em 2,21%, 2026 em 1,87% (estável) e 2027 passou de 1,93% para 1,86% (−0,07 p.p.). A leitura combina resiliência no presente com moderação à frente.
No câmbio, as medianas permaneceram inalteradas em R$/US$ 5,60 (2025), 5,70 (2026) e 5,70 (2027), sugerindo menor volatilidade nas expectativas após ajustes recentes. As expectativas para o fim do ano sugerem uma desvalorização do real no segundo semestre, visto que dólar negociou próximo de R$5,40 nas últimas semanas.
Para juros, não houve mudança: Selic projetada em 15,00% (2025), 12,50% (2026) e 10,50% (2027), compatível com política monetária ainda restritiva. O esforço do Banco Central em eliminar a expectativa de início de ciclo de cortes ainda em 2025 vem trazendo resultados, entretanto o mercado espera que já no primeiro trimestre de 2026 a autoridade comece a reduzir a Selic.
No quadro fiscal, houve melhora marginal com o déficit projetado passando de −0,53% para −0,50% do PIB em 2025 (+0,03 p.p.) e de −0,61% para −0,60% em 2026 (+0,01 p.p.); 2027 permaneceu em −0,30%. O bom desempenho da economia favorece a arrecadação do governo e possibilita a revisão das expectativas.
Fonte : portaldocomercio.org.br