Matéria de hoje (19/08) do jornal Valor Econômico, de autoria de Adriana Mattos, afirma que a renúncia do conselheiro fiscal André Nassif trouxe à tona divergências entre o GPA (Grupo Pão de Açúcar) e seu conselho fiscal. Em carta de renúncia, Nassif afirmou enfrentar dificuldades no exercício da função devido à falta de acesso a dados considerados essenciais e a supostas “inconsistências” nos números apresentados pela companhia.
O executivo destacou que pedidos de informações, levantamentos e explicações solicitados não eram plenamente atendidos pela administração, o que dificultava sua atuação.
Segundo a reportagem, a tensão aumentou quando Nassif tentou marcar reunião presencial na sede do GPA e foi informado de que isso não seria possível. Ele também apontou dificuldades em ter clareza sobre remuneração, provisões trabalhistas e salariais, além de questões de compliance e governança. O conselheiro chegou a afirmar que não conseguia emitir diagnósticos completos sobre a situação financeira da empresa, algo fundamental para o trabalho de fiscalização.
O GPA, por meio de sua assessoria, afirmou que segue os ritos de governança corporativa e que cumpre as obrigações legais de disponibilizar informações ao conselho fiscal. A companhia ressaltou ainda que desde 2016 vem passando por diferentes fases de reestruturação – operacionais, financeiras e estratégicas –, com o objetivo de melhorar sua eficiência e reduzir custos.
Nos bastidores, a saída de Nassif também se relaciona a debates sobre aumento de remuneração de executivos, tema sensível em um momento de ajustes internos. A renúncia ocorre em meio a mudanças recentes na governança: nos últimos anos, o GPA passou por trocas de presidentes, disputas entre o Casino, controlador francês, e acionistas minoritários, além de esforços de desalavancagem e venda de ativos, como a fatia no Éxito, na Colômbia, e imóveis no Brasil.
Apesar da turbulência gerada pelo episódio, o mercado reagiu positivamente: as ações do GPA subiram 3,5% na segunda-feira (18). Para analistas, o movimento reflete a expectativa de que a varejista consiga dar continuidade ao processo de ajuste e recuperação.
Fonte: Valor Econômico