O boletim Focus desta semana não trouxe mudanças relevantes nas expectativas dos agentes. Este é o primeiro relatório após a decisão do Copom por manter a taxa Selic no patamar atual de 15% a.a. O comunicado da decisão teve um tom hawkish, isto é, de uma preocupação maior com a inflação por parte do Comitê, quando afirmam que “os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”. Mesmo com tal tom, o Boletim mostra novo ajuste na Selic para 2026, significando que o mercado espera mais um corte na taxa de juros.
Ainda acima do teto da meta, as expectativas de inflação não mostram mudanças relevantes no Boletim. Única mudança veio no IPCA para 2026, caindo de 4,30% para 4,29%. A expectativa dos agentes contrasta com as projeções do Banco Central, já que é projetada uma inflação de 3,6% em 2026, dentro da meta, e uma inflação para o 1º trimestre de 2027 (horizonte relevante) de 3,4%.
As projeções de PIB se mantiveram constantes em todos os períodos (2025: 2,16%; 2026: 1,80%; 2027: 1,90%). Os indicadores mensais começam a mostrar sinais mais claros de desaceleração: comércio com queda de 0,3% (4 meses seguidos de queda), indústria com queda de 0,2% (4 meses seguidos de queda/estabilidade) e serviços se mantendo ainda um pouco mais resiliente, com alta de 0,3% no mês e variações positivas desde fevereiro. O arrefecimento da economia é refletido no IBC-Br, índice do Banco Central que tenta medir o nível de atividade nacional, que registrou queda de 0,5% em julho (3ª queda seguida).
As expectativas do câmbio se mantiveram constante em todos os vértices reportados pelo relatório (2025: R$/US$ 5,50 , 2026: R$/US$ 5,60, 2027: R$/US$ 5,60). Apesar da estabilidade, elas vêm caindo durante o ano e são consistentes com o cenário econômico interno e externo. Internamente, o arrefecimento da economia e a desinflação ajudam para a melhor na cotação do câmbio. Externamente, as tarifas do governo norte-americano ajudam a desvalorizar o dólar não só frente ao real, mas frente a várias moedas.
As expectativas para a Selic foram mantidas em 15,00% para 2025 e em 10,50% para 2027. Para 2026 houve queda de 12,38% para 12,25%, que significa precificação para mais um corte ao longo de 2026. É interessante observar que o mercado espera uma inflação ainda acima do teto da meta para 2026, mas espera um processo de queda da Selic ao longo do ano. O monitoramento do processo conjunto desde dois indicadores é importante daqui para frente.
O mercado melhorou a projeção do resultado primário de 2025 (de –0,52% para –0,51% do PIB), manteve 2026 em –0,60% e 2027 em –0,30%. A leitura sugere cautela com a execução orçamentária no curto prazo, apesar de bloqueios e contingenciamentos em vigor
Fonte : portaldocomercio.org.br