Inflação de outubro tem menor alta desde 1998, aponta IBGE, e surpreende mercado e CNC

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, ontem (11/11/25), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente ao mês de outubro. A alta foi de 0,09%, o menor nível para o mês desde 1998. O resultado surpreendeu a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que esperava crescimento de 0,23%, enquanto o restante do mercado esperava 0,15%.

A inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,68%, ante 5,17% em setembro. Já o acumulado dos núcleos é de 4,89%, ante 5,09% no mês anterior. Foi o terceiro mês consecutivo de queda desse indicador. Embora ainda acima do topo da meta de inflação, de 4,50%, o cenário é claramente positivo. Já há analistas no mercado que esperam inflação dentro da meta em 2025, algo impensável seis meses atrás.

A inflação de bens industriais segue em queda e surpreendendo, com o acumulado em 12 meses passando de 3,3% em setembro para 3,0% em outubro, sexta queda consecutiva. O bom desempenho do real diante do dólar e a guerra tarifária entre China e Estados Unidos ajudam a explicar esse resultado.

Por outro lado, a inflação de serviços segue subindo, atingindo 6,2%, após 6,1% em setembro. Se olharmos para os serviços intensivos em trabalho, a alta foi ainda maior, passando de 6,3% para 6,5%. Ambas as medidas são do acumulado em 12 meses. Esse resultado é reflexo de um mercado de trabalho ainda aquecido. O desemprego segue na mínima histórica, de 5,6%, pressionando os salários e aumentando os custos para o setor de serviços, cujo principal gasto é com mão de obra. O mercado de trabalho costuma responder aos ciclos econômicos com certa defasagem, ou seja, em momentos de crescimento o desemprego demora a cair e em momentos de desaquecimento, como agora, o desemprego demora a subir.

Em outubro, três dos nove grupos tiveram quedas, com destaque para artigos de residência (-0,34%) e habitação (-0,3%). Este segundo foi fortemente influenciado pela queda da energia elétrica residencial (-2,39%), após a mudança da bandeira tarifária de vermelha patamar 2 em setembro para vermelha patamar 1 em outubro. Apesar disso, a energia acumula forte alta em 2025 (13,64%), com destaques para São Paulo (21,6%), Vitória (23,6%) e São Luís (23,87%).

Entre as altas, os destaques foram vestuário (0,51%), despesas pessoais (0,45%) e saúde e cuidados pessoais (0,41%). O grupo de vestuário foi puxado pela alta dos calçados (0,89%), enquanto o de despesas pessoais teve impacto da alta do custo do empregado doméstico (0,52%). Já em saúde e cuidados pessoais, os principais responsáveis pela alta foram higiene pessoal (0,57%) e plano de saúde (0,50%).

O grupo de alimentos, o de maior peso no orçamento das famílias, apresentou estabilidade (0,01%), apesar da queda da alimentação em domicílio (-0,16%). A alta da alimentação fora do domicílio (0,46%) foi puxada por lanche (0,75%) e refeição (0,38%).

A queda da energia apresentou o maior impacto no IPCA de outubro (-0,1 ponto percentual). Entre os itens que subiram no mês, os que mais impactaram foram o aluguel residencial (0,03 p.p.) e o plano de saúde (0,02 p.p.).

Diante de toda a incerteza que surgiu na economia mundial no começo do ano com as tarifas de importação impostas pelo governo americano, o Brasil conseguiu passar sem maiores arranhões, pelo menos no que tange à inflação. A maior oferta de produtos chineses e o enfraquecimento do dólar auxiliaram, junto com a excelente safra deste ano, a segurar os preços ao longo de 2025.

Para o fim do ano, a CNC projeta que a Selic permanecerá em 15,0% a.a., com o ciclo de cortes se iniciando em janeiro de 2026. Para a inflação, a entidade espera alta de 0,22% em novembro e alta de 4,3% no acumulado de 2025.

Fonte : portaldocomercio.org.br

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