José Pastore
No meio de tanta pobreza e enorme desigualdade, fica difícil criticar as políticas sociais que buscam atenuar esses problemas. Mas as críticas se justificam quando tais políticas atenuam muito pouco o sofrimento do povo.
Tomemos o exemplo dos programas assistenciais do governo federal. Em 2019, os gastos foram de R$ 90 bilhões. Em 2025, saltaram para R$ 285,8 bilhões! E não há o menor sinal de que a pobreza e a desigualdade se reduziram a um terço nesse período.
Mas, como moeda eleitoral, o assistencialismo produz bons resultados. Desde o tempo de Getúlio Vargas, a dinâmica é sempre a mesma: como candidatos, os populistas prometem o que não podem entregar. Uma vez eleitos, e ao constatarem não haver recursos para cumprir suas promessas, eles partem para o assistencialismo, que, por sua vez, arromba as contas públicas e deteriora o equilíbrio fiscal.
Poucos são os governantes que escaparam do populismo e implementaram programas de austeridade que redundaram em investimentos e empregos que — estes sim — ajudam a reduzir a pobreza e a desigualdade de forma duradoura.
Michel Temer conta que ouviu muito o seguinte conselho quando chegou à Presidência: “Já que o sr. é tão impopular, aproveite a sua impopularidade e implemente políticas de efeito prolongado” — o que foi feito ao aprovar o teto de gastos, a racionalização da administração das estatais e as reformas trabalhista e do ensino médio, entre outras.
Itamar Franco também, na sua “impopularidade”, praticou a austeridade com efeitos de longo prazo, como ocorreu com o Plano Real. Escaparam do populismo porque não foram eleitos presidentes e não fizeram promessas vazias.
Quando disputam a cadeira principal, os candidatos são levados a alimentar o populismo — o que está ocorrendo agora. O presidente Lula, que busca a reeleição, lança novos programas assistenciais a cada passo. Para 2026, vem outra leva, a começar pela isenção/redução do Imposto de Renda para pessoas físicas — sem nenhuma referência à melhoria da produtividade do trabalho.
O seu oponente deve perder a eleição se criticar o assistencialismo vigente. Se vencer, precisará de enorme coragem e muito tempo para pôr o País na rota de um crescimento robusto e sustentável. Esse tempo é especialmente necessário porque cortar gastos exige vencer inúmeras barreiras constitucionais, o que é difícil e demorado.
Professor da FEA-USP, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP. É membro da Academia Paulista de Letras
Fonte : O ESTADO DE S. PAULO