Como a Plurix, do fundo de investimentos Patria, tornou-se a 11ª maior rede de supermercados do País

Conglomerado dobrou o faturamento em um ano e foi o que mais ampliou a receita e mais escalou posições no ranking das 50 maiores redes de supermercados

O varejo de alimentos, bebidas e produtos de higiene e limpeza não é, tradicionalmente, alvo dos fundos de investimento de private equity, que compram empresas e turbinam a rentabilidade do negócio para vender as companhias a médio prazo.

Esse cenário, no entanto, está mudando. A 11ª rede de supermercados do País em faturamento hoje é a Plurix, segundo o ranking de 2025 da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). É uma varejista formada por oito bandeiras, cujo controlador é a gestora de investimentos Patria. Procurado pela reportagem, o Patria não se manifestou.

O conglomerado que tem sob o seu guarda-chuva as redes regionais Boa, Dom Olívio, Amigão, Superpão, Compremais, Megaloja, Avenida Supermercados e Paraná Supermercados, com 178 lojas espalhadas pelos Estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo, faturou R$ 9,373 bilhões em 2024.

Entre as 50 maiores do setor de supermercados, foi a empresa que mais ascendeu no ranking em faturamento: pulou da 19ª para 11ª posição em um ano.

Também foi a companhia do setor supermercadista que registrou o maior crescimento de receita. Praticamente dobrou (99%) as vendas de 2023 (R$ 4,709 bilhões) para 2024, com a compra da rede Amigão em janeiro de 2024, que incorporou um faturamento estimado de R$ 4 bilhões.

Se for agregada à receita da Plurix a do Atakarejo, rede baiana de atacarejo cujo controle foi adquirido pelo Patria em 2023, o fundo de investimento estaria ocupando a oitava posição no ranking da Abras, com receita total R$ 14,6 bilhões.

Resiliência

O interesse do fundo de private equity pelo varejo regional de bens não duráveis, como alimentos, bebidas, produtos de higiene e limpeza, ocorre, na opinião de analistas, porque a venda desses itens básicos sofre poucas oscilações frente ao sobe e desce da conjuntura.

“É meio que um voo de cruzeiro, olhando para outros segmentos de varejo, como o de itens de vestuário”, compara o consultor Eugênio Foganholo, sócio da Mixxer Desenvolvimento Empresarial.

Além disso, o consultor Eduardo Terra, cofundador do Instituto Retail Think Tank (IRTT), ressalta que o fundo está olhando para o impacto da reforma tributária a partir do próximo ano. A reforma tributária deve fazer com que as empresas formais avancem e ganhem mercado.

A leitura do fundo para apostar em empresas regionais de supermercados é que elas estão ganhando o jogo. Isto é, crescendo em um ritmo maior do que as gigantes do setor. Tanto é que entre as dez maiores varejistas de supermercados no ranking da Abras, a maioria é regional.

“Existe uma clara oportunidade de consolidação de redes médias regionais de ‘segundo escalão’, que não são as principais da região”, diz Foganholo, fazendo referência à estratégia de aquisições adotada pelo Plurix. “É uma estratégia altamente inteligente ir na regional de menos relevância do que na regional líder.”

Segundo o consultor, esse é o fator mais importante que move essas aquisições. Uma das vantagens de comprar esse tipo de companhia é que ela tem forte ligação como os consumidores locais. Por outro lado, a desvantagem é enfrentar a competição das grandes redes.

Foganholo observa que há muitos supermercados regionais de “segundo escalão” espalhados pelo País, com potencial de ganhar eficiência nos resultados, aumentando a profissionalização e os processos. E é exatamente esse o mecanismo usado pelo fundo para engordar o negócio.

A receita de bolo para ter sucesso, observa Terra, é comprar empresas regionais e manter os fundadores, porque eles conhecem o negócio, e também manter o nome da rede. “Tirar os fundadores poderia ser um risco.”

Ao conduzir as aquisições dessa forma, Foganholo acredita que o Plurix consegue unir o melhor de dois mundos: o conhecimento regional, que é dos donos, com processos mais avançados para aumentar a rentabilidade do negócio, trazidos pelo fundo.

Saída

Quando um fundo de private equity compra uma empresa, o seu objetivo é engordar o negócio e vender a companhia com lucro. No caso do varejo de supermercados, a alternativa pode ser vender para uma grande companhia, como fez o Advent, que passou para frente o Walmart para o Carrefour, ou abrir o capital na Bolsa.

Na análise de Terra, no momento, não há grandes empresas no varejo de supermercados com fôlego para fazer aquisições. Por outro lado, faz mais de quatro anos que não há abertura de capital no Brasil.

Entre os motivos, estão a conjuntura econômica, marcada por juros altos, incerteza fiscal, por exemplo. “A seca dos IPOs (a abertura de capital na sigla em inglês) tem atrapalhado os planos dos private Equity no Brasil”, afirma Terra.

Fonte : https://www.estadao.com.br/economia/plurix-fundo-investimentos-patria-11-maior-rede-supermercados-pais

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