Contratações de profissionais acima dos 50 anos avançam, mas ainda enfrentam barreiras no mercado de trabalho

O envelhecimento acelerado da população brasileira começa a pressionar o mercado de trabalho a rever práticas históricas de contratação. Embora ainda de forma tímida, empresas têm ampliado a inclusão de profissionais com mais de 50 anos, movimento impulsionado tanto por mudanças demográficas quanto pela percepção de que a diversidade etária pode gerar ganhos reais de desempenho e competitividade.

Matéria do Valor Econômico de hoje, 12/01, de autoria de Adriana Fonseca, mostra que dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em 2060, cerca de um quarto da população brasileira terá 65 anos ou mais. O último Censo já mostra uma transformação em curso: o contingente de pessoas com 60 anos ou mais cresceu 56% em pouco mais de uma década, enquanto a parcela de crianças e jovens diminuiu. Esse cenário tem provocado reflexões no ambiente corporativo, ainda marcado por preconceitos etários.

Consultorias especializadas observam um avanço gradual. Segundo Juliana Ramalho, CEO da Talento Sênior, que atua na intermediação de profissionais acima dos 45 anos, o primeiro passo tem sido a conscientização das áreas de recursos humanos sobre vieses invisíveis nos processos seletivos. Para ela, muitas exclusões não estão formalizadas em políticas, mas ocorrem de maneira informal, a partir de filtros mentais adotados por equipes mais jovens. A empresa afirma ter mais do que dobrado o número de contratações desse público no último ano.

Movimento semelhante é identificado pela Maturi, consultoria focada em diversidade etária. De acordo com o CEO da empresa, Mórris Litvak, os programas evoluíram e deixaram de se concentrar apenas em funções operacionais. Hoje, iniciativas voltadas a cargos de gestão e posições técnicas especializadas começam a ganhar espaço, sobretudo em setores como tecnologia, finanças, varejo e serviços. Para ele, a contratação de profissionais seniores vem sendo cada vez mais encarada como estratégia de negócio, e não como ação assistencial.

Algumas grandes companhias já estruturaram políticas formais. A farmacêutica Eurofarma, detentora do selo Certified Age-Friendly Employer (CAFE), mantém desde 2021 um programa de contratação de profissionais seniores. Segundo a empresa, mais de 400 pessoas com 50 anos ou mais foram contratadas ou promovidas desde então, e o grupo mantém mais de mil colaboradores nessa faixa etária. A companhia afirma que a convivência entre diferentes gerações fortalece a tomada de decisão, preserva conhecimentos críticos e contribui para ambientes mais equilibrados.

Histórias individuais ilustram os desafios e avanços. Profissionais com extensa trajetória relatam dificuldades para avançar em processos seletivos, mesmo com qualificações compatíveis às vagas. Ainda assim, aqueles que conseguem se recolocar destacam o valor da experiência acumulada, da maturidade emocional e da capacidade de contribuir para decisões mais consistentes e para a formação de equipes mais jovens.

Na Accenture, por exemplo, um programa estruturado de diversidade etária foi criado em 2021. A empresa informa que mais de 500 pessoas acima dos 50 anos foram contratadas desde então e que atualmente cerca de 1.500 profissionais dessa faixa etária integram o quadro no Brasil. A estratégia inclui treinamentos para recrutadores, com foco na redução de vieses inconscientes, além de iniciativas específicas voltadas à reinvenção profissional.

Outras organizações do setor farmacêutico, como a Sanofi, também adotaram medidas semelhantes, como a retirada da idade na triagem de currículos e a criação de bancos de talentos voltados a profissionais mais experientes. A empresa aponta crescimento expressivo da participação de trabalhadores com 50 anos ou mais desde a implementação do programa.

Especialistas ressaltam, porém, que o etarismo ainda é uma das formas mais naturalizadas de discriminação no mercado de trabalho. A percepção de que profissionais mais velhos têm menor capacidade de adaptação ou produtividade persiste, apesar de evidências contrárias. Com o aumento da longevidade e a necessidade de carreiras mais longas, a inclusão etária tende a se tornar não apenas uma pauta de diversidade, mas uma exigência estrutural para a sustentabilidade das empresas.

Fonte: https://valor.globo.com/carreira/noticia/2026/01/12/contratacoes-de-profissionais-50-crescem-timidamente.ghtml

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