Boletim Focus mantém expectativa para inflação em 2026 em 4,51%

Economia

O Boletim Focus desta semana trouxe nova revisão baixista nas expectativas de inflação. A mediana das projeções para o IPCA de 2025 caiu de 5,53% para 5,51%. Para 2026, houve redução de 4,51% para 4,50%, enquanto a projeção para 2027 foi mantida em 4,00%. É a quarta semana consecutiva de queda das expectativas de inflação para 2025.

A divulgação do IPCA de abril, na última sexta-feira, reforçou essa tendência. O índice subiu 0,43% no mês, em linha com a mediana das expectativas do mercado,

de 0,42%. O resultado foi influenciado pela forte alta da inflação de alimentação e bebidas, que subiu 0,82% no mês. Os produtos industriais também surpreenderam, na comparação com abril de 2024 o crescimento foi de 4,09%.

As projeções para o crescimento do PIB permaneceram estáveis: 2,00% em 2025, 1,70% em 2026 e 2,00% em 2027. Na quarta-feira, dia 07/05/2025, o IBGE divulgou o resultado da Produção Industrial Mensal (PIM) de março, que avançou 1,2% frente a fevereiro, surpreendendo positivamente o mercado, cuja mediana projetava crescimento de 0,3%. A alta foi disseminada entre categorias econômicas, com destaque para bens de capital e setores voltados à exportação. O dado traz novas

dúvidas sobre a desaceleração da economia brasileira, meta do Banco Central ao aumentar o juros com o objetivo de controlar a inflação.

As expectativas para o câmbio foram revisadas para baixo. A projeção para o dólar no final de 2025 passou de R$/US$ 5,86 para R$/US$ 5,85. Para 2026, caiu de R$/US$ 5,91 para R$/US$ 5,90, e para 2027, de R$/US$ 5,85 para R$/US$ 5,80. A valorização do real reflete o diferencial elevado de juros domésticos e um dólar mais fraco por conta da guerra comercial.

As projeções para a Selic foram mantidas: 14,75% ao final de 2025, 12,50% em 2026 e 10,50% em 2027. Na semana passada, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, de 14,25% para 14,75% ao ano, conforme projetado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em seu comunicado, o Comitê destacou a persistência dos núcleos inflacionários e a desancoragem das expectativas no curto prazo. A autoridade monetária reforçou o compromisso com a convergência da inflação para a meta, mantendo o viés contracionista. Para a reunião de junho a CNC espera um último aumento de 0,25 ponto percentual, encerrando o ciclo de alta em 15%.

Em relação ao resultado primário, o mercado manteve a projeção de déficit de 0,60% do PIB para 2025, mas piorou levemente as projeções para os anos seguintes. Para 2026, o déficit esperado passou de 0,64% para 0,66%, e para 2027, de 0,46% para 0,47%. A deterioração das projeções fiscais reflete dúvidas quanto à execução orçamentária e à capacidade do governo de conter o crescimento das despesas obrigatórias. A divulgação do segundo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas deve trazer informações relevantes sobre a possibilidade de cumprimento da meta de resultado primário zerado em 2025. O ano eleitoral trás sempre novos riscos fiscais, com o governo incumbente abrindo os cofres para permanecer no poder.

Fonte : CNC

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