Para 2026, a mediana do IPCA avançou de 4,10% para 4,17%, enquanto 2027 ficou em 3,80% e 2028 subiu de 3,50% para 3,52%. A revisão é compatível com o IPCA de fevereiro, que ficou em 0,70%, com serviços em 1,51% no mês e inflação de serviços em 12 meses em 6,01%, além do aumento recente da volatilidade no petróleo após a escalada da guerra no Oriente Médio. O movimento reforça a leitura de desinflação mais lenta e de expectativas ainda pressionadas no curto prazo.
A mediana do PIB para 2026 passou de 1,83% para 1,84%, com 2027 e 2028 resultaram em 1,80% e 2,00%. O ajuste conversa com a bateria de atividade divulgada na semana anterior: as vendas no varejo cresceram 0,4% em janeiro, enquanto o volume de serviços avançou 0,3% e igualou o recorde da série. Em conjunto, os indicadores seguem a atividade resiliente na margem, apesar das condições financeiras restritivas.
No câmbio, a projeção para 2027 recuou de R$/US$ 5,47 para R$/US$ 5,45, enquanto 2026 e 2028 foram planejados em R$/US$ 5,40 e R$/US$ 5,50. A revisão ocorre em um ambiente externo ainda volátil: em 12/03, o agravamento da guerra no Oriente Médio levou o Brent a US$ 101,26 e o dólar a R$ 5,2, embora a liberação de reservas estratégicas de petróleo tenha ajudado a estabilizar a moeda no dia anterior. Assim, o Focus sugere algum aviso marginal futuro, mas sem alteração de forma relevante o nível esperado do câmbio.
Para 2026, a mediana da Selic subiu de 12,25% para 12,50%, com 2027 em 10,50% e 2028 em 10,00%. A revisão é consistente com um quadro inflacionário menos benigno no curto prazo, após o IPCA de fevereiro de 0,70% e com os riscos adicionais trazidos pela alta do petróleo e pelo reajuste do diesel associado à guerra no Oriente Médio. O Copom optou por iniciar o ciclo de corte na reunião da semana passada, rendendo uma Selic de 15,0% para 14,75% ao ano. O movimento reforça a percepção de juros elevados por mais tempo e de uma normalização mais lenta à frente.
A projeção para o resultado primário de 2027 melhorou de -0,41% para -0,40% do PIB, ao passo que 2026 chegou em -0,50% e 2028 em -0,26%. A melhoria marginal é compatível com o superávit de R$ 86,9 bilhões do Governo Central em janeiro, acima da mediana do Prisma Fiscal, embora o resultado acumulado em 12 meses ainda tenha déficit permanente em 0,47% do PIB. Em outras palavras, houve alguma melhoria na largada do ano, mas não a ponto de mudar de forma material a percepção sobre o quadro fiscal estrutural.
Fonte : portaldocomercio.org.br