Boletim Focus : O salto da mediana do IPCA de 2026, de 5,11% para 5,30%

Economia

O salto da mediana do IPCA de 2026, de 5,11% para 5,30%, foi o principal movimento da semana; as projeções de 2027 e 2028 também subiram, de 4,03% para 4,10% e de 3,65% para 3,68%, respectivamente. A revisão disseminada entre os horizontes sinaliza maior preocupação com a persistência inflacionária. Embora o IPCA de maio tenha desacelerado para 0,58%, o acumulado em 12 meses avançou para 4,72%, ampliando o afastamento em relação à meta e contribuindo para a 15ª semana consecutiva de alta da expectativa para 2026.

A projeção de crescimento do PIB para 2026 avançou de 1,91% para 1,96%, enquanto as medianas de 2027 e 2028 permaneceram em 1,70% e 2,00%. O ajuste reforça a leitura de atividade mais resiliente no curto prazo, apoiada pelo crescimento de 1,2% do volume de serviços em abril e pela expansão de 1,1% do PIB no primeiro trimestre. Ainda assim, a estabilidade dos horizontes seguintes indica que o mercado continua esperando moderação da economia sob condições financeiras restritivas.

As projeções de câmbio para 2026 e 2027 foram elevadas em R$ 0,05, para R$/US$ 5,20 e R$/US$ 5,25, enquanto 2028 permaneceu em R$/US$ 5,30. A revisão ocorre após uma semana de oscilação relevante: a cotação de venda chegou a R$ 5,17 em 10 de junho, antes de recuar para R$ 5,08 no dia 12. O movimento sugere que, apesar da apreciação no encerramento do período, o mercado incorporou maior cautela diante da volatilidade externa e dos riscos de transmissão cambial para a inflação.

A mediana da Selic subiu de 13,50% para 13,75% em 2026, de 11,50% para 12,00% em 2027 e de 10,00% para 10,25% em 2028. A reprecificação indica expectativa de um ciclo de flexibilização mais lento, diante da piora das projeções de inflação. O Copom se reúne nos dias 16 e 17 de junho, e a CNC espera redução de 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. O corte projetado é compatível com a sequência cautelosa da flexibilização, sem afastar a necessidade de juros elevados por mais tempo para favorecer a convergência da inflação.

As medianas do resultado primário permaneceram em -0,50% do PIB para 2026, -0,40% para 2027 e -0,23% para 2028. A ausência de revisão sugere que os resultados fiscais mais favoráveis na margem ainda não foram suficientes para alterar a avaliação estrutural do mercado. O Governo Central registrou superávit de R$ 25,2 bilhões em abril e o setor público consolidado apresentou saldo positivo de R$ 25,9 bilhões, mas o déficit acumulado em 12 meses mantém a percepção de cautela quanto à trajetória das contas públicas.

Fonte : portaldocomercio.org.br

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