Boletim Focus reduz projeção da inflação para 2026 e reforça expectativa de queda dos juros

As expectativas do mercado financeiro para a inflação em 2026 voltaram a melhorar, segundo a edição de 3 de agosto do Boletim Focus, compilada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) com base em dados do Banco Central. A mediana da projeção para o IPCA caiu de 5,12% para 5,03%, enquanto as estimativas para 2027 (4,22%) e 2028 (3,80%) permaneceram inalteradas, indicando um cenário de alívio inflacionário no curto prazo, mas ainda cercado de cautela para os anos seguintes.

A redução da expectativa para a inflação acompanha o resultado do IPCA de junho, que registrou alta de 0,16% no mês e acumulou 4,64% em 12 meses. Apesar desse desempenho mais favorável, o mercado ainda não vê uma convergência consistente para a meta de inflação, mantendo projeções estáveis para os próximos anos.

No campo da atividade econômica, o Focus manteve a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,99% para 2026, mas reduziu a expectativa para 2027, de 1,60% para 1,57%. Para 2028, a estimativa permaneceu em 2,00%. Segundo a análise, o cenário reflete uma economia que continua crescendo, embora com sinais de desaceleração em alguns segmentos. Enquanto o IBC-Br avançou 0,10% em maio, o volume de serviços recuou 0,40%, indicando perda de dinamismo na margem.

As projeções para o câmbio sofreram apenas ajustes pontuais. A expectativa para o dólar em 2027 recuou de R$ 5,29 para R$ 5,28, enquanto as estimativas para 2026 (R$ 5,20) e 2028 (R$ 5,30) permaneceram estáveis. O movimento acompanha a leve valorização recente do real, mas ainda sem alterar de forma significativa a percepção de risco cambial para o próximo ano.

A melhora nas expectativas para a inflação também abriu espaço para uma revisão nas projeções da taxa básica de juros. A mediana para a Selic em 2026 caiu de 14,00% para 13,75%, enquanto as previsões para 2027 (12,00%) e 2028 (10,50%) foram mantidas. A análise aponta que o mercado passou a enxergar maior possibilidade de flexibilização monetária ainda este ano, embora ressalte que o processo deverá continuar gradual e condicionado ao comportamento da inflação.

Por outro lado, o cenário fiscal permanece como ponto de atenção. As projeções para o resultado primário seguiram inalteradas em déficit de 0,50% do PIB para 2026, 0,40% para 2027 e 0,25% para 2028. De acordo com a CNC, a ausência de mudanças nas expectativas fiscais demonstra que a melhora dos indicadores de inflação, câmbio e juros ainda não foi suficiente para alterar a percepção sobre as contas públicas, fator que continua limitando uma melhora mais robusta das perspectivas de médio prazo.

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