O grupo chileno Cencosud voltou ao centro das atenções no varejo sul-americano ao surgir como um dos principais interessados na compra do Carrefour na Argentina. A transação, estimada em mais de US$ 1,5 bilhão, pode se tornar uma das maiores da região nas últimas décadas, mas enfrenta obstáculos regulatórios relevantes.
Com cerca de 700 lojas no país, entre hipermercados e unidades de conveniência, o Carrefour contratou o Deutsche Bank para conduzir o processo de venda. Além da Cencosud, outros concorrentes aparecem na disputa, como a rede argentina Coto, o Grupo de Narváez e o fundo norte-americano Klaff Realty.
O negócio, porém, levanta preocupações na Comissão Nacional de Defesa da Concorrência (CNDC). Hoje, Carrefour, Cencosud e Coto concentram cerca de 50% das vendas de supermercados no país. Uma fusão entre Carrefour e Cencosud poderia criar um gigante capaz de alterar a dinâmica de preços e concorrência, o que pode levar a exigências de desinvestimento ou até ao veto da operação.
O Carrefour busca ao menos US$ 1,5 bilhão, mas analistas consideram difícil alcançar esse valor diante da crise econômica argentina. Há também a possibilidade de venda parcial, com a manutenção do formato Express, voltado a lojas menores.
Para a Cencosud, a compra reforçaria sua presença em um mercado no qual já atua há mais de 40 anos e no qual recentemente adquiriu redes como Makro e Basualdo. A empresa teria de recorrer a financiamento adicional, mas mantém boa perspectiva financeira: em 2025, registrou receita de US$ 17,4 bilhões, sendo quase 20% provenientes da Argentina.
Discreta nas negociações, a companhia chilena não confirma oficialmente o interesse. O desfecho da operação, ainda incerto, poderá redefinir o futuro do varejo argentino e consolidar um novo líder regional no setor supermercadista.