Com reforma tributária, supermercados precisarão rever fluxo de caixa, formação de preços e gestão de estoques

Empresários e profissionais do varejo participaram, no dia 9 de abril, da palestra “Reforma Tributária: como as empresas devem se preparar”, promovida pelo Sincovaga-SP e conduzida pela advogada, mestre em Direito Tributário e assessora Jurídica da FecomercioSP, Sarina Sasaki Manata, que esclareceu os principais impactos práticos do novo sistema tributário e orientou sobre as medidas necessárias antes do início efetivo das mudanças, previsto para 2027.

Em sua apresentação, a Dra. Sarina destacou que a reforma representa uma transformação estrutural no modelo de arrecadação e exigirá uma mudança significativa na forma como as empresas administram suas finanças e processos internos, especialmente no setor supermercadista, que opera com margens apertadas e alto volume de transações.

“A reforma parece uma simplificação quando comparada ao sistema atual, mas está longe de ser simples. Ela exige controle, planejamento e acompanhamento constante por parte das empresas”, alertou.

A especialista explicou que o novo modelo substitui tributos atuais por dois novos impostos: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência dos estados e municípios, e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, conforme estabelecido pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e pelas leis complementares que regulamentaram o novo sistema tributário.

Um dos pontos que mais chamou a atenção dos participantes foi a estimativa de uma alíquota nominal em torno de 28%, considerada elevada e com potencial de impacto direto no custo operacional do comércio varejista e dos supermercados. “Estamos falando de uma alíquota que pode ser a maior do mundo. Por isso, as empresas precisam entender como essa carga tributária vai impactar diretamente seus custos e preços”, afirmou.

Fluxo de caixa e capital de giro: os maiores desafios para supermercados

Durante a palestra, a assessora Jurídica da FecomercioSP ressaltou que o maior impacto da reforma tributária para supermercados será financeiro, sobretudo por causa do novo modelo de recolhimento automático dos tributos, conhecido como split payment, que direciona parte do valor da venda diretamente ao governo no momento da transação. “Hoje muitas empresas acabam trabalhando temporariamente com o dinheiro do imposto. Com o novo sistema, isso deixa de existir. O valor do tributo não vai mais passar pelo caixa da empresa”, explicou.

No caso dos supermercados, onde há grande volume diário de vendas e necessidade constante de reposição de mercadorias, a mudança pode reduzir a disponibilidade imediata de recursos e exigir reforço no capital de giro.

Outro ponto destacado foi o impacto do novo modelo no controle financeiro e na gestão de fornecedores − tema considerado crítico para o setor. “Não basta ter a nota fiscal. Para tomar crédito, o imposto precisa estar efetivamente pago. Isso muda completamente a dinâmica de controle das empresas.”

Na prática, isso significa que supermercados precisarão acompanhar com mais rigor o cumprimento das obrigações fiscais por parte dos fornecedores, já que eventual inadimplência poderá impedir o aproveitamento de créditos tributários.

Gestão de estoque e compras passa a ter impacto direto no caixa

Um dos momentos mais relevantes da apresentação foi a explicação sobre a relação entre compras, estoque e fluxo de caixa, uma realidade cotidiana para supermercados. A especialista destacou que a nova lógica tributária exigirá maior precisão na gestão de compras e no planejamento financeiro.

“O empresário precisa sair da posição operacional e assumir uma postura mais administrativa. Ele vai precisar negociar melhor, planejar e criar caixa para enfrentar essa nova realidade”, explicou.

Foi ressaltado que o modelo atual permite que muitas empresas operem com o valor do imposto por determinado período, situação que deixará de existir. “Agora, você não vai poder mais trabalhar com o dinheiro do imposto. Isso muda completamente o planejamento financeiro.”

No setor supermercadista, onde o giro de estoque é elevado e a margem é reduzida, qualquer desequilíbrio entre compras, vendas e pagamento de tributos pode comprometer a sustentabilidade do negócio.

Formação de preços e margens exigirão revisão permanente

Outro alerta importante foi o impacto da reforma na formação de preços, um tema sensível para supermercados, que lidam diariamente com variação de custos e concorrência intensa. “O empresário precisa entender de que forma a reforma vai impactar o seu negócio, justamente porque ela vai afetar o fluxo de caixa e a formação de preços”, afirmou a advogada.

A especialista explicou que novos tributos, regimes diferenciados e o imposto seletivo sobre determinados produtos deverão ser considerados como custo, mesmo quando o recolhimento ocorrer em etapas anteriores da cadeia produtiva. Entre os itens que poderão sofrer incidência adicional estão bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas, que fazem parte do mix de vendas do varejo alimentar.

Preparação deve começar agora, especialmente no varejo alimentar

Um dos principais alertas da palestra foi a necessidade de antecipação. Embora a implementação completa ocorra gradualmente, o período atual já deve ser utilizado como fase de adaptação e planejamento, principalmente no setor supermercadista. “O empresário precisa entender minimamente como a reforma vai impactar o seu negócio. Não é um assunto só do contador. Vai afetar preço, margem e fluxo de caixa”, alertou a especialista.

Entre as medidas consideradas prioritárias para supermercados estão: reforço do capital de giro; revisão da política de preços e margens; aperfeiçoamento do controle de estoque e compras; monitoramento rigoroso de fornecedores; investimento em sistemas de gestão e compliance tributário; e planejamento financeiro para a transição até 2027.

Ao encerrar a palestra, a advogada reforçou que a reforma tributária representa uma mudança estrutural que exigirá adaptação cultural e gerencial nas empresas, especialmente no comércio varejista de alimentos. “Quem começar a se preparar agora terá mais segurança e competitividade quando o novo sistema entrar em vigor. Esperar 2027 para agir pode ser tarde”, concluiu.

O presidente em exercício do Sincovaga-SP, Alexandre Furtado, completou agradecendo a presença de todos e a qualidade da apresentação, sugerindo um novo encontro mais adiante, quando as normas forem publicadas pelo governo, a fim de esclarecer os questionamentos que possam surgir.

O evento no Sincovaga-SP reforçou a importância de informação e capacitação para que o setor supermercadista compreenda as mudanças e se prepare para um dos maiores ajustes no sistema tributário brasileiro das últimas décadas.

Imagem : Divulgação

Fonte : Presstalk Comunicação – Assessoria de Imprensa Sincovaga-SP

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