ICC avança 0,2%, para 121,1 pontos, após duas quedas mensais consecutivas
A confiança do consumidor paulistano voltou a subir em setembro, interrompendo uma sequência de duas quedas mensais consecutivas. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), apurado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), avançou 0,2%, para 121,1 pontos. Na comparação com setembro de 2025, a alta foi de 9,9%.
A recuperação foi sustentada principalmente pela melhora na avaliação das condições econômicas atuais, embora as expectativas para os próximos meses tenham apresentado leve recuo. O resultado indica uma percepção mais favorável da situação presente, mas ainda cercada de cautela diante do custo do crédito, do endividamento e das restrições ao orçamento familiar.
Apesar da alta da confiança, a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) recuou 0,2% em setembro, para 110,7 pontos, registrando a sétima queda mensal consecutiva desde março. O indicador, contudo, permanece acima da linha de neutralidade, de 100 pontos, e acumula avanço de 4,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
Condições atuais melhoram, mas expectativas perdem força
O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA), que mede a percepção dos consumidores sobre a situação econômica presente, subiu 0,9%, para 115,6 pontos. A alta foi observada em todos os segmentos pesquisados, exceto entre os consumidores com menos de 35 anos, grupo em que o indicador caiu 2,1%, para 118,7 pontos.
Já o Índice de Expectativas do Consumidor (IEC), que avalia as perspectivas para o futuro próximo, recuou 0,2%, para 124,8 pontos. Embora permaneça acima do ICEA, sinalizando maior otimismo em relação aos próximos meses, a variação negativa aponta uma perda de impulso das expectativas.
A redução da diferença entre os dois subíndices mostra que a melhora na avaliação do presente não foi acompanhada pelo mesmo movimento nas perspectivas futuras. Para a FecomercioSP, a persistência de juros elevados, o comprometimento do orçamento doméstico e as incertezas sobre a atividade econômica continuam limitando uma recuperação mais expressiva da confiança.
Consumidores mais velhos recuperam confiança
O comportamento do ICC variou conforme a faixa etária. Entre os consumidores com 35 anos ou mais, a confiança aumentou 4,6%, para 119,5 pontos, revertendo a queda registrada em agosto. Já entre aqueles com menos de 35 anos, o índice recuou 2,2%, para 122,1 pontos.
A avaliação das condições econômicas atuais também apresentou diferenças entre os grupos. O ICEA caiu apenas entre os consumidores mais jovens e avançou 6,7% entre os mais velhos, a maior alta entre os segmentos pesquisados.
Na comparação anual, todos os grupos apresentaram crescimento da confiança. Os destaques foram os consumidores com 35 anos ou mais, com avanço de 15,9%, as mulheres, com alta de 13,5%, e as famílias com renda de até dez salários mínimos, cujo índice subiu 11,5%.
Emprego e renda sustentam a intenção de consumo
Enquanto a confiança apresentou recuperação, a intenção de consumo das famílias continuou perdendo força na comparação mensal. O emprego atual permaneceu como o componente mais bem avaliado da ICF, apesar de uma queda de 0,1%, para 141,2 pontos. Em relação a setembro de 2025, houve avanço de 4,8%.
A renda atual também apresentou relativa estabilidade, com recuo de 0,1%, para 137 pontos, e crescimento de 2,6% na comparação anual. A manutenção de condições favoráveis de emprego e renda ajuda a sustentar a percepção financeira das famílias, mas não significa necessariamente maior disponibilidade de recursos para novas compras.
A perspectiva profissional, por outro lado, recuou 1,7% no mês, para 108,8 pontos, registrando a quarta queda mensal consecutiva. Na comparação anual, a retração chegou a 9,4%. Enquanto 53,7% dos consumidores demonstram uma percepção favorável sobre a segurança do emprego atual, 42,8% avaliam negativamente as perspectivas profissionais.
O momento para a compra de bens duráveis avançou 0,8%, para 80,9 pontos, com alta de 15,6% em um ano. Mesmo assim, o indicador permanece abaixo dos 100 pontos, mostrando que as condições para adquirir produtos de maior valor ainda são avaliadas de forma desfavorável.
O acesso ao crédito subiu 0,2%, para 112,8 pontos, acumulando crescimento anual de 9,3%. A melhora na percepção das condições de financiamento, contudo, não representa necessariamente expansão efetiva do crédito ou redução de seu custo. O comprometimento da renda com dívidas e os juros elevados continuam restringindo as decisões de compra.
Consumo atual recua, apesar de perspectivas mais favoráveis
O nível de consumo atual caiu 1,3% em setembro, para 86,9 pontos, na segunda retração mensal consecutiva. Apesar do recuo, o indicador ficou 3,3% acima do registrado no mesmo mês de 2025.
Em sentido contrário, a perspectiva de consumo avançou 1,1%, para 107,3 pontos, após permanecer estável em agosto. Na comparação anual, a alta foi de 12,8%, marcando o 13º avanço consecutivo.
Os resultados mostram que a disposição para consumir nos próximos meses está mais favorável do que a percepção sobre as compras realizadas no presente. A diferença reflete a cautela das famílias diante das restrições financeiras, mesmo em um cenário de emprego e renda relativamente positivos.
Varejo deve enfrentar demanda mais seletiva
A leitura conjunta dos indicadores aponta que a melhora da confiança ainda não se traduz em uma recuperação consistente do consumo. Para o varejo, o cenário sugere consumidores mais atentos aos preços, às condições de pagamento e ao impacto das compras sobre o orçamento doméstico.
No último trimestre do ano, o emprego e a renda devem continuar dando suporte à demanda, especialmente durante datas comerciais como Black Friday e Natal. A intensidade das vendas, entretanto, dependerá da evolução da inflação, das condições de financiamento e da capacidade das famílias de assumir novas despesas.
O décimo terceiro salário também poderá aliviar parte das restrições orçamentárias, mas uma parcela dos recursos poderá ser direcionada ao pagamento de dívidas, em vez de novas aquisições.
Diante desse cenário, a FecomercioSP recomenda que os empresários ajustem suas estratégias a uma demanda mais seletiva, com planejamento de estoques, diversificação das faixas de preço e condições de pagamento transparentes e adequadas ao perfil financeiro dos consumidores. A alta da confiança representa um sinal favorável, mas a sustentação das vendas dependerá da capacidade efetiva de compra das famílias.