O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reúne-se nesta quarta-feira (05/11), na penúltima reunião de 2025, para deliberar sobre a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, atualmente em 15,00% ao ano. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta manutenção da taxa nesse valor até o fim do ano, assim como espera o restante do mercado.
Com a melhora dos resultados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos últimos meses, o debate sobre o início do ciclo de cortes volta a ganhar espaço. O indicador registrou alta de 0,48% em setembro, muito por conta da alta na energia após o pagamento do bônus de Itaipu no mês anterior. Em agosto foi registrada uma deflação de 0,11%. O acumulado em 12 meses permanece em patamar elevado, de 5,17%.
As projeções mais recentes do Boletim Focus já apontam para uma inflação de 4,55% em 2025, após 6 semanas consecutivas de revisões baixistas. Ainda assim, as expectativas seguem acima do topo da meta de inflação, de 4,50%.
O dólar foi um dos principais fatores que auxiliaram no controle inflacionário esse ano. Desde o fim de 2024 o real já se valorizou mais de 13% frente ao dólar. Mesmo com o cenário conturbado em meio às tarifas de importação impostas aos produtos brasileiros pelos Estados Unidos, a moeda americana manteve a tendência de desvalorização, ajudando a baratear os produtos importados pelos brasileiros.
Com a taxa Selic em patamar bem restritivo, já se vê a economia desacelerando. No gráfico abaixo percebe-se que o comércio e a indústria já estão recuando, enquanto os serviços ainda mantêm o dinamismo dos últimos meses.
O mercado de trabalho aquecido ajuda a explicar o resultado visto nos serviços. Os dados da Pnad de setembro mostram que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em setembro seguiu no menor nível da série histórica, de 5,6%, e o rendimento médio real cresceu 4% se comparado com o mesmo período de 2024. Esses dados reforçam a visão de um mercado de trabalho resiliente, com impactos positivos sobre o consumo, mas que também pode gerar pressões inflacionárias, principalmente nos setores de serviços. O mercado de trabalho costuma reagir com defasagens à política monetária. É por este motivo que ainda não vemos uma inflexão mais clara na trajetória do desemprego medida pela Pnad Contínua. Em relação aos dados do Caged, o último mês mostrou essa resiliência, quando a criação de vagas formais foi de 213 mil vs 170 mil esperadas (mediana das projeções Bloomberg). Quando analisamos a quit rate (taxa de demissão voluntária), é perceptível que seu nível atual está acima do que estava em 2024. Essa medida é importante porque ela está relacionada ao grau de aquecimento do mercado de trabalho, uma taxa maior significa que as pessoas estão mais confiantes de que encontrarão um novo emprego caso se demitam do emprego atual.
Outro dado que corrobora o arrefecimento da economia brasileira é a concessão de créditos. O gráfico acima mostra a média móvel de 3 meses da variação anual da concessão de créditos livres (aqueles que têm correlação positiva com o ciclo econômico). Podemos ver que desde o final do ano passado a concessão de crédito tem caído, visto o patamar restritivo da Selic. Dado que há menos crédito circulando, há menos consumo e menos investimento, o que explica a desaceleração dos indicadores de atividade do IBGE mostrados anteriormente.
Em relação ao cenário externo, a recente reunião entre os presidentes brasileiro e americano indica que as tarifas ainda em vigor podem ser revistas. Além disso, após uma série de meses conturbados, a relação entre EUA e China, as duas maiores economias do mundo, também parece ter se pacificado, o que beneficia toda a economia global.
Levando todo esse contexto em consideração, a CNC espera que o Copom vá manter o patamar atual da Selic em 15% ao ano. A taxa deve permanecer nesse patamar até o fim do ano. Espera também que o ciclo de cortes seja iniciado ainda no primeiro trimestre de 2026. A ata da decisão deve reforçar que as decisões futuras continuarão sendo tomadas de acordo com a evolução dos indicadores econômicos e que ela vai permanecer em patamar restritivo por tempo suficiente para que a inflação convirja para a meta.
Fonte : Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC)