O crédito continuou crescendo em agosto, mas o cenário ainda exige cautela. O saldo do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,4 trilhões, alta de 0,5% no mês e de 9,2% em 12 meses. Ao mesmo tempo, os juros do crédito livre subiram para 48,5% ao ano e a inadimplência total alcançou 5,0%.
Para o comércio e os serviços, a leitura é mista: há expansão das concessões e do crédito às famílias, o que ajuda a sustentar vendas, mas o encarecimento do financiamento e a maior inadimplência reduzem a capacidade de consumo e tornam mais seletiva a oferta de crédito, especialmente para pequenos negócios.
PRINCIPAIS NÚMEROS DE AGOSTO
| Indicador | Resultado | Variação |
| Saldo total do SFN | R$ 7,4 trilhões | +0,5% no mês | +9,2% em 12 meses |
| Taxa média de juros | 32,3% a.a. | +0,2 p.p. no mês |
| Juros do crédito livre | 48,5% a.a. | +0,8 p.p. no mês |
| Inadimplência total | 5,0% | +0,1 p.p. no mês | +0,9 p.p. em 12 meses |
CRÉDITO PARA EMPRESAS E DESEMPENHO SETORIAL
O estoque de crédito às pessoas jurídicas ficou em R$ 2,7 trilhões, com queda de 0,1% no mês e crescimento de 7,1% em 12 meses. No segmento livre, o saldo empresarial recuou 0,6% em agosto e avançou apenas 0,5% em um ano, com reduções em capital de giro e desconto de duplicatas e recebíveis.
MICRO E PEQUENOS SENTEM MAIS A DETERIORAÇÃO DO CRÉDITO
O saldo de crédito das micro, pequenas e médias empresas alcançaram R$ 1,34 trilhão, alta de 1,0% no mês e de 6,6% em 12 meses. A inadimplência, porém, chegou a 6,0%, ante 5,4% em agosto de 2025. Nas grandes empresas, o indicador ficou em 0,7%.
Para os negócios de menor porte, a combinação de juros ainda elevados e atrasos crescentes tende a manter critérios de aprovação mais rigorosos, maiores exigências de garantia e pressão sobre o custo do capital de giro.
COMÉRCIO E SERVIÇOS
| Atividade | Saldo em ago/26 | No mês | Em 12 meses |
| Comércio | R$ 599,6 bi | -0,1% | +0,4% |
| Transportes | R$ 247,6 bi | +0,7% | +0,5% |
| Serviços às famílias | R$ 169,2 bi | +1,6% | +15,9% |
| Serviços às empresas | R$ 141,9 bi | +1,6% | +4,2% |
| Serviços — total | R$ 1,67 tri | +0,4% | +7,0% |
Dentro do comércio, o crédito permaneceu praticamente estável no agregado. Em 12 meses, houve retração no varejo de bens não duráveis (-2,0%), no varejo de bens duráveis (-8,4%) e no atacado (-3,6%). Em sentido oposto, cresceram veículos automotores (+8,7%) e bens intermediários (+3,2%).
A expansão mais forte dos serviços prestados às famílias indica maior dinamismo nesse grupo, enquanto o comércio mostra menor impulso de crédito. Os dados são nacionais e não têm abertura por unidade da Federação; portanto, servem como direção para São Paulo, e não como estimativa específica do Estado.
FAMÍLIAS E IMPLICAÇÕES PARA O SETOR
O saldo de crédito às famílias chegou a R$ 4,7 trilhões, com alta de 0,8% no mês e de 10,5% em 12 meses. A expansão foi puxada por financiamento de veículos, cartão rotativo e crédito consignado do setor privado. O aumento do estoque favorece o consumo no curto prazo, mas ocorre com custo elevado e piora da qualidade da carteira.
SINAIS DE PRESSÃO NO ORÇAMENTO
| Indicador | Resultado | Leitura |
| Juros do crédito livre às famílias | 61,7% a.a. | +1,4 p.p. no mês | +2,9 p.p. em 12 meses |
| Inadimplência das famílias | 6,0% | +0,2 p.p. no mês | +1,1 p.p. em 12 meses |
| Inadimplência no crédito livre às famílias | 8,0% | +0,2 p.p. no mês | +1,0 p.p. em 12 meses |
| Endividamento das famílias | 49,9% | dado de julho | +1,1 p.p. em 12 meses |
| Comprometimento de renda | 28,7% | dado de julho | +1,4 p.p. em 12 meses |
IMPLICAÇÕES PARA COMÉRCIO E SERVIÇOS
Vendas a prazo exigem cautela. O crédito disponível continua crescendo, mas a elevação dos juros e dos atrasos aumenta o risco de inadimplência e pode reduzir a conversão de compras de maior valor.
A demanda tende a ficar mais seletiva. Com quase metade da renda anual comprometida por dívidas e 28,7% da renda mensal destinada ao serviço dessas obrigações, o consumidor tem menos espaço para gastos discricionários.
Nas empresas, vale reforçar gestão de caixa e recebíveis. Para MPEs, o avanço da inadimplência pode encarecer ou restringir capital de giro; negociação de prazos, antecipação criteriosa de recebíveis e controle de estoques ganham relevância.
O quadro não indica retração generalizada do crédito, mas menor qualidade do crescimento. Para os sindicatos, os indicadores mais importantes nos próximos meses são juros às famílias, inadimplência das MPEs e evolução do crédito no varejo, que perdeu ritmo em agosto.
Fonte: Banco Central do Brasil, Estatísticas Monetárias e de Crédito, dados de agosto de 2026, divulgados em 29/09/2026.