O aumento dos gastos com alimentação se tornou a principal fonte de preocupação financeira para os trabalhadores brasileiros. Segundo a Sondagem do Mercado de Trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV), 81,9% dos entrevistados afirmam que as despesas com comida têm impacto significativo sobre o orçamento mensal. O índice é o maior da série histórica iniciada em 2025.
A pesquisa ouviu 6 mil pessoas nas sete capitais pesquisadas pela FGV. Em agosto, a preocupação com os gastos alimentares avançou 3,5 pontos percentuais em relação ao mês anterior, quando o indicador estava em 78,4%.
O levantamento mostra que o peso da alimentação é ainda maior entre as famílias de menor renda. 87% dos entrevistados que recebem até dois salários mínimos consideram que a compra de alimentos representa um impacto relevante no orçamento. Entre aqueles com renda acima de três salários mínimos, o percentual cai para 79,7%.
Para o economista Rodolpho Tobler, pesquisador da FGV responsável pela sondagem, a percepção dos consumidores está relacionada ao comportamento dos preços e à renda das famílias. “Se o preço da comida está subindo bem pouco, a renda não está subindo nada”, afirma.
Alimentação ganha espaço no orçamento
O levantamento também indica que, entre os trabalhadores que consideram a alimentação seu principal gasto, a participação desse item nas despesas mensais vem crescendo. Em agosto, o indicador alcançou 81,9%, depois de registrar 78,4% em julho e 75% em junho.
O movimento ocorre em um cenário de pressão sobre determinados produtos básicos. Segundo especialistas citados na reportagem, fatores como clima, redução da produção e dificuldades na colheita podem provocar aumentos de preços de alimentos como arroz, feijão e trigo.
O economista Mario Leontev, sócio-fundador da Private Investimentos, avalia que as condições climáticas podem afetar a oferta de produtos agrícolas e, consequentemente, os preços pagos pelo consumidor. Ele ressalta, porém, que a trajetória dos preços depende de diversos fatores e não apenas da produção.
Preços de alimentos seguem no radar
Dados recentes de inflação reforçam a preocupação dos consumidores. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,48% em setembro, após avanço de 0,44% em agosto. No acumulado de 12 meses, a inflação ficou em 5,17%.
Na avaliação de especialistas, a alimentação continuará sendo um dos componentes importantes para o comportamento da inflação nos próximos meses, especialmente diante das oscilações na produção agrícola e das condições climáticas.
O pesquisador da FGV destaca ainda que o encarecimento dos alimentos pode comprometer parcela crescente da renda das famílias, principalmente entre os trabalhadores de menor poder aquisitivo.