Pesquisa diferencia endividamento, caracterizado pela existência de parceladas, como cartão de crédito, carnês e financiamentos
Campo Grande encerrou 2025 com avanço no endividamento das famílias, evidenciando comportamentos distintos conforme a faixa de renda. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com análise do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS.
A pesquisa diferencia endividamento, caracterizado pela existência de dívidas parceladas, como cartão de crédito, carnês e financiamentos de inadimplência, que corresponde às contas em atraso. Em dezembro de 2025, 68,6% das famílias campo-grandenses declararam estar endividadas, acima dos 65,0% registrados no mesmo período de 2024. Em números absolutos, isso representa 226.248 famílias com algum tipo de compromisso financeiro assumido na capital sul-mato-grossense.
Já os indicadores de inadimplência apresentaram comportamento misto. O percentual de famílias com contas em atraso recuou levemente, passando de 30,3% para 29,4% na comparação anual. Por outro lado, aumentou a proporção de famílias que afirmam não ter condições de pagar as dívidas em atraso, que chegou a 13,7% em dezembro de 2025, frente a 12,5% no mesmo mês do ano anterior.
Perfil do endividamento por renda
O levantamento também mostra que o tipo de dívida varia conforme a renda familiar. Entre as famílias com rendimento de até dez salários mínimos, há maior concentração de dívidas em carnês, modalidade geralmente associada ao parcelamento direto no comércio varejista e a condições de crédito menos favoráveis.
Nesse grupo, 21,7% das famílias endividadas possuem compromissos nessa modalidade, percentual significativamente superior ao observado entre famílias com renda acima de dez salários mínimos, onde os carnês representam 12,5% das dívidas. O dado indica que as famílias de menor renda recorrem com mais frequência a alternativas imediatas de crédito, muitas vezes com custos embutidos mais elevados.
Entre as famílias de renda mais alta, o endividamento está mais associado a financiamentos de maior valor e prazo mais longo, como veículos. Nesse segmento, 19,6% possuem dívidas relacionadas a automóveis, contra 9,1% entre aquelas com renda de até dez salários mínimos, refletindo maior acesso ao sistema financeiro formal.
O cartão de crédito, contudo, permanece como o principal instrumento de endividamento em todas as faixas de renda. A incidência é maior entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos (69,6%), mas também é elevada entre aquelas com renda menor (65,9%), reforçando o peso dessa modalidade no orçamento doméstico.
Para a economista do Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS, Regiane Dedé de Oliveira, os dados ajudam a compreender desafios distintos enfrentados por cada grupo. “As famílias de menor renda tendem a utilizar instrumentos de crédito mais imediatos, como os carnês, enquanto as de maior renda acessam financiamentos mais estruturados. Esse cenário exige políticas públicas e estratégias de educação financeira adaptadas a cada realidade”, avalia.