Entre alimentos e remédios: Os desafios dos supermercados na venda de medicamentos

Destaques

 Em tramitação no Senado, o projeto de lei que propõe a venda de medicamentos em supermercados causará uma série de mudanças na operação do varejo alimentar, caso seja aprovado. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impõe exigências que abrangem desde a manipulação e armazenamento dos alimentos, até a higiene do ambiente e a rastreabilidade dos produtos. “Especificamente no âmbito de adaptações estruturais, é indicado que as áreas de armazenamento sejam adequadas, contando com controle de temperatura e umidade. Também é importante haver áreas de dispensação separadas, que contem com restrição de acesso a usuários”, explica Daniel Kamlot, professor do Programa de Pós-Graduação em Economia Criativa, Estratégia e Inovação (PPGECEI) da ESPM, ao Jornal Giro News. Além da higiene, são necessárias iluminação e ventilação adequadas, seguindo protocolos de segurança e de rastreabilidade dos produtos.

Armazenamento e logística

 A maioria dos medicamentos deve evitar calor excessivo e luz solar direta. Além disso, existem medicamentos que precisam ser mantidos refrigerados – os chamados termolábeis -, como a insulina, que fica estocada entre 2°C e 8°C. “Outra preocupação é com a exposição à luz solar direta, ou artificial intensa, pois isso pode afetar a composição de determinados medicamentos. Neste caso, os medicamentos são armazenados em locais escuros”, detalha o especialista. Os medicamentos também devem ser mantidos nas embalagens originais, para proteção e conservação, além de facilitar a verificação da data de validade. É necessário, ainda, definir elementos de rastreabilidade desde a sua origem até o paciente. “Mesmo a preocupação com o transporte adequado dos medicamentos é crucial, com o uso de veículos e embalagens que protejam o produto, evitando danos e restringindo variações de temperatura.”

Alimentos x Medicamentos

 A possibilidade de supermercados incorporarem farmácias em suas instalações gera outra demanda: protocolos diferenciados para a coexistência entre remédios e alimentos perecíveis. “Os medicamentos devem ser armazenados em áreas separadas, limpas e bem estruturadas, distantes de alimentos, produtos de limpeza e até perfumaria, a fim de evitar contaminações, tanto químicas quanto físicas”, afirma o professor. Os maiores riscos relacionados a remédios se referem à perda de eficácia e à toxicidade que pode surgir quando ocorre alguma alteração da composição química – decorrente de condições inadequadas de temperatura, umidade ou luz. “De forma similar aos perecíveis, os medicamentos seguem o sistema PEPS (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair) / PVPS (Primeiro a Vencer, Primeiro a Sair), com suas datas de validade sendo rigorosamente controladas no intuito de evitar o descarte de produtos vencidos, que podem perder sua eficácia ou se tornar prejudiciais ao consumidor”, ressalta Daniel.

Histórico

 Tema de embate entre supermercados e farmácias, a venda de remédios no canal alimentar deve ser votada no Senado Federal em agosto. O projeto original sugeria a liberação da venda de medicamentos sem prescrição médica (MIPs), como os antigripais e remédios para dor de cabeça, nas gôndolas de supermercados. A proposta enfrentou resistência do setor farmacêutico e de saúde, e assim, o varejo supermercadista encaminhou ao senador Efraim Filho uma emenda que permitia a instalação de farmácias dentro dos supermercados e de redes atacadistas. A ideia é permitir a abertura de farmácias completas no varejo alimentício, com a presença virtual ou presencial de um farmacêutico responsável, liberando assim a venda de todos os medicamentos, incluindo os que exigem prescrição médica. Após meses paralisada, a discussão avançou em julho e deve ganhar novos desdobramentos em agosto.

Fonte : https://gironews.com/supermercado/entre-alimentos-e-remedios-os-desafios-dos-supermercados-na-venda-de-medicamentos

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