Escala 6×1 sobrevive mais um ano nos supermercados de São Paulo

Categoria fechou acordo por reajuste salarial de 6%; piso cresce 6,27% e vai a R$ 2.100
Convenção coletiva mantém trabalho de mulheres aos domingos sem obrigatoriedade de folga quinzenal

A escala de seis dias de trabalho com apenas um de folga sobreviverá mais um ano em supermercados e atacados da capital paulista.

A convenção coletiva da categoria, assinada na semana passada, prevê que os estabelecimentos poderão fechar três tipos de regimes de jornada de trabalho e todos eles consideram seis dias consecutivos.

“Não mexemos em nada, mantivemos o 6×1 e as demais jornadas e também a questão do trabalho de mulheres ao domingos, que ainda não está juridicamente definida”, diz Alvaro Furtado, presidente do Sincovaga (Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios).

Furtado se refere a um julgamento de recurso do STF (Supremo Tribunal Federal) que discute se os empregadores são ou não obrigados a dar uma folga quinzenal aos domingos às mulheres, como previsto na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).

“Se o Supremo definir, vamos ter que cumprir, mas hoje já é muito difícil compor uma escala 1×1 [um domingo de folga para um de trabalho] com 60% a 65% de mulheres na força de trabalho.”

O modelo de trabalho 6×1, muito usado no setor do comércio, é alvo de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que pretende reduzir a jornada de trabalho máxima, hoje em 44 horas semanais.

Para a coluna Painel S.A., o ministro Luiz Marinho, titular do Trabalho e Emprego, disse considerar “plenamente possível a 6×1 com negociação coletiva”. Na avaliação dele, os empregadores precisam começar a se preparar para a escala de 40 horas semanais.

O setor supermercadista é dos que se opõe à mudança. A Abras (Associação Brasileira de Supermercados) calcula que a redução na jornada sem a diminuição de salários representaria aumento real de quase 30% nas remunerações.

Na capital paulista, o setor emprega cerca de 100 mil pessoas. A convenção da categoria também estabeleceu o piso salarial em R$ 2.100, um reajuste de 6,27%. Para os demais salários, o aumento acordado foi de 6%.

Fernanda Brigatti

Fonte : https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2025/11/escala-6×1-sobrevive-mais-um-ano-nos-supermercados-de-sao-paulo.shtml

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