Fim da escala 6×1 pode reduzir produção e salários, alerta economista

Opinião

Especialistas em economia e relações de trabalho têm alertado para possíveis impactos no mercado caso avance no Congresso a proposta de acabar com a escala 6×1 − modelo em que o empregado trabalha seis dias consecutivos e descansa um − e reduzir a jornada máxima semanal.

Em entrevista, o economista Hélio Zylberstajn, professor sênior da Universidade de São Paulo e coordenador do Salariômetro da Fipe, afirmou que mudanças dessa natureza podem dificultar a organização do tempo de trabalho, especialmente em setores que operam com turnos contínuos, como indústria, comércio, logística e saúde.

Segundo ele, embora a intenção seja melhorar a qualidade de vida do trabalhador, incluir regras rígidas na Constituição sobre a distribuição da jornada pode engessar a flexibilidade necessária para adaptar a produção às demandas de cada atividade. O economista defende que ajustes na carga horária sejam definidos prioritariamente por meio de negociação coletiva entre empresas e sindicatos.

Zylberstajn avalia que a exigência de escalas mais curtas pode elevar custos ao obrigar empresas a contratar mais trabalhadores ou reorganizar equipes. Caso não haja aumento proporcional de produtividade, o resultado poderia ser redução da produção, pressão sobre salários e até estímulo à informalidade ou à automação.

Para ele, eventuais mudanças deveriam ocorrer de forma gradual, permitindo adaptação dos setores econômicos. O economista ressalta ainda que o Brasil já possui tradição de negociação coletiva em temas relacionados à jornada e que esse caminho seria mais adequado do que estabelecer regras uniformes para todos os segmentos da economia.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/producao-vai-cair-e-trabalhadores-vao-ganhar-menos-com-fim-da-6×1-diz-helio-zylberstajn/

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