Grupo Supernosso inicia em março de 2026 projeto piloto para substituir a escala 6×1 pelo modelo 5×2 em três unidades de Minas Gerais e reacende debate sobre jornada no varejo.
O debate sobre jornada de trabalho no setor de supermercados ganhou um novo capítulo com o anúncio de que o Grupo Supernosso iniciará, a partir de março de 2026, um projeto piloto para substituir a tradicional escala 6×1 pelo modelo 5×2 em três unidades localizadas em Minas Gerais.
A iniciativa ocorre em um momento em que o tema da jornada semanal no varejo brasileiro vem sendo discutido publicamente, especialmente em relação à rotina de seis dias consecutivos de trabalho com apenas um dia de descanso.
O que muda na prática: da escala 6×1 para 5×2
Tradicionalmente, o setor supermercadista opera majoritariamente sob o regime 6×1, no qual o colaborador trabalha seis dias consecutivos e descansa um. Esse modelo é comum no comércio porque permite funcionamento contínuo ao longo da semana, incluindo fins de semana.
No projeto piloto anunciado pelo Grupo Supernosso, a jornada passará para o modelo 5×2, ou seja:
- Cinco dias consecutivos de trabalho
- Dois dias de descanso
A mudança não altera a carga horária semanal prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que permanece em 44 horas semanais.
Para manter esse limite, a jornada diária será ajustada. No modelo anterior, muitos colaboradores operavam com cerca de 7 horas e 20 minutos por dia. Com a nova escala, a jornada diária passará para aproximadamente 8 horas e 48 minutos.
Onde a mudança será aplicada
O projeto será inicialmente implementado em três unidades da rede em Minas Gerais. O Grupo Supernosso tem forte presença no estado, sendo uma das principais redes regionais de supermercados.
A empresa informou que a iniciativa terá caráter experimental. Caso os resultados operacionais e de desempenho sejam considerados satisfatórios, a intenção é ampliar gradualmente o modelo para outras lojas ao longo de 2026.
Objetivo declarado pela empresa
Segundo informações divulgadas pela própria rede, a principal motivação para o projeto é avaliar o impacto da escala 5×2 na rotina dos colaboradores.
Entre os pontos mencionados estão:
- Redução do desgaste físico
- Melhoria na organização da vida pessoal
- Ajuste na logística de deslocamento semanal
A empresa também pretende medir indicadores como produtividade, absenteísmo e satisfação interna.
Escala 6×1 no varejo brasileiro
A escala 6×1 é historicamente adotada no comércio porque permite cobertura integral dos dias de maior movimento, especialmente sábados e domingos.
Supermercados, por funcionarem inclusive aos fins de semana e feriados, tradicionalmente distribuem folgas de forma alternada entre equipes.
No entanto, o modelo é frequentemente alvo de debates trabalhistas por limitar períodos prolongados de descanso.
Impacto potencial no setor supermercadista
Caso o projeto piloto se mostre viável, o movimento pode ter repercussões no setor varejista, especialmente entre redes regionais que operam com estruturas semelhantes.
Supermercados de grande porte lidam com:
- Turnos contínuos
- Operações logísticas diárias
- Alto fluxo de clientes nos fins de semana
Qualquer alteração estrutural na jornada exige reorganização de equipes, escalas e contratação de pessoal adicional, dependendo do caso.
Ajuste de jornada sem redução salarial
É importante destacar que a mudança não implica redução salarial, já que a carga horária semanal permanece dentro do limite legal de 44 horas.
O que ocorre é redistribuição das horas ao longo da semana, concentrando a carga em cinco dias em vez de seis.
Esse tipo de ajuste é permitido pela legislação trabalhista brasileira, desde que respeitados os limites de jornada diária e semanal.
Monitoramento de resultados
O projeto piloto será acompanhado internamente pela empresa. Entre os indicadores que normalmente são avaliados em mudanças desse tipo estão:
- Turnover (rotatividade)
- Índice de faltas
- Produtividade por setor
- Custos operacionais
Caso o modelo gere necessidade de ampliação de quadro funcional para cobrir horários, isso também será considerado na análise de viabilidade.
O Grupo Supernosso no mercado mineiro
O Grupo Supernosso atua há décadas no estado de Minas Gerais e possui múltiplas bandeiras e formatos de loja.
Com operação regional consolidada, a empresa tem estrutura suficiente para testar modelos alternativos de gestão de pessoal em unidades específicas antes de expandir para toda a rede.
A adoção do modelo 5×2 coloca a empresa entre as primeiras redes supermercadistas brasileiras a testar oficialmente esse formato no varejo alimentar.
Debate nacional sobre jornada de trabalho
Nos últimos anos, o Brasil tem acompanhado discussões mais amplas sobre jornada semanal, incluindo propostas de redução de carga horária e revisão de modelos tradicionais.
Embora o projeto do Grupo Supernosso não altere o total de horas semanais, ele modifica a distribuição, o que pode influenciar futuras negociações coletivas no setor.
O modelo 5×2 já é amplamente utilizado em setores administrativos e industriais, mas ainda é menos comum no comércio varejista de grande fluxo.
O anúncio de que o Grupo Supernosso adotará a escala 5×2 em três unidades mineiras a partir de março de 2026 marca um movimento relevante no setor supermercadista brasileiro.
Sem alterar a carga horária semanal de 44 horas, a empresa optou por redistribuir a jornada para cinco dias consecutivos de trabalho e dois dias de descanso, em substituição ao modelo tradicional 6×1.
O projeto piloto servirá como base para avaliar viabilidade operacional e impacto nos colaboradores, podendo influenciar decisões futuras dentro da própria rede e eventualmente no setor varejista regional.