GPA aposta em “fazer o básico bem-feito” e corta 25% da sede corporativa para acelerar recuperação

A diretoria do GPA aproveitou a teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26) para detalhar os bastidores da reestruturação. Além dos números financeiros já divulgados, o CEO Alexandre Santoro e o CFO Pedro Albuquerque discutiram sobre as estratégias operacionais em curso, que incluem o combate à obsolescências tecnológicas e o ajuste de uma estrutura logística que ainda carregava o peso dos antigos hipermercados.

Um dos pontos de maior destaque foi o diagnóstico crítico sobre a infraestrutura de TI. Santoro revelou que a companhia ainda operava com sistemas antigos. “O GPA deve ser uma das únicas ou poucas empresas onde ainda existe um mainframe aqui dentro. Isso obviamente não é a coisa mais eficiente do mundo, gera um custo muito alto”, afirmou o CEO, explicando que essa estrutura impedia a agilidade no desenvolvimento de novos aplicativos e soluções.

Além disso, a gestão administrativa passou por um processo rigoroso. Santoro confirmou que a sede corporativa foi reduzida em cerca de 20% a 25% em relação ao início do ano para se adequar à nova realidade da empresa.

Segundo ele, ainda há muitos desafios pela frente, mas a companhia reúne atributos necessários para voltar a evoluir de forma consistente ao longo dos próximos anos: “O lema aqui é fazer o básico bem-feito. Estamos construindo bases sólidas para o futuro, com mais disciplina financeira, simplificação na questão operacional e foco maior no cliente e uma cultura orientada à execução.”

Outro ponto importante levantado por Santoro diz respeito à malha logística, especialmente no Nordeste e no Centro-Oeste. O CEO explicou que o GPA ainda pagava por estruturas dimensionadas para uma escala que não existe mais após a saída do segmento de hipermercados. “A logística foi criada em cima disso e hoje em dia não tem mais as lojas”, pontuou, destacando a estratégia de renegociar contratos de imóveis não operacionais que ainda geravam custos de aluguel, segurança e IPTU.

Todas essas movimentações fazem parte de um bloco de ações de eficiência e simplificação que visam uma “limpeza administrativa” para tornar a gestão do Grupo mais ágil, rentável e condizente com o perfil das principais marcas (proximidade e supermercados premium).

Execução na ponta e apoio de fornecedores

Apesar do ambiente de consumo desafiador e da deflação em itens de mercearia, a administração reforçou o aumento nas vendas em mesmas lojas, impulsionadas principalmente pelo segmento de perecíveis e experiência direta no PDV. Para Santoro, a recuperação da confiança do cliente acontece no dia a dia: “É na loja que o nosso cliente decide voltar, que a confiança é construída e que o GPA vai continuar evoluindo todos os dias.”

No campo financeiro, o CFO Pedro Albuquerque agradeceu o “apoio dos credores , fornecedores e de todo o time que suportou a operação no período da RE”, comentou. 

O CFO também reforçou os impactos esperados após a conclusão do plano de recuperação extrajudicial, reequilíbrio do perfil de endividamento e necessidade de caixa prevista para os próximos anos.

“Quando Santoro e eu chegamos no GPA, tínhamos a previsão de desembolso de aproximadamente R$ 5,2 bilhões nos próximos 2 anos. A conclusão da recuperação extrajudicial reduzirá esse montante para cerca de R$ 700 milhões, dos quais aproximadamente R$ 300 milhões deverão ser endereçados com recursos da venda da FIC, nos termos do plano da RE.”

O executivo também relembrou que o prazo médio da dívida deverá passar de 2,1 para 6,4 anos, e estima uma redução no custo médio da dívida CDI para 0,5% ao ano. “Adicionalmente a descompressão de fluxo de caixa, a dívida líquida financeira da companhia poderá ser reduzida para R$ 822 milhões, o que representaria uma alavancagem financeira de 0,9 vez, considerando o 1T26”, complementou.

“Essa nova estrutura de dívida pecuniária e fluxo de pagamento possibilitam a continuidade da execução do turnaround já em curso, além de permitir endereçamento de demais passivos”, explicou Albuquerque.

Estratégias por bandeira

Sobre o futuro das marcas, os executivos reforçaram o posicionamento e principais estratégias:

  • Pão de Açúcar: Seguirá focado em saudabilidade, conveniência e sortimento premium, com destaque para as marcas próprias e perecíveis;
  • Extra Mercado: Continuará em processo de revisão de sortimento e gestão de categorias. Perecíveis continuam puxando o crescimento das vendas com aumento superior as demais categorias;
  • Proximidade: Terá um projeto de revisão logística e de sortimento para superar os desafios específicos desse formato.

1T26 foi o momento de reorganização, estabilização e definição de prioridades para o GPA

A teleconferência deixou claro que, para a gestão, o primeiro trimestre de 2026 foi um período de “arrumar a casa”. Como resumiu Santoro, a meta é “trazer estabilidade, clareza de prioridades e direção” para o resultado financeiro ser uma consequência natural da eficiência operacional. 

“Conseguimos avançar rapidamente numa negociação complexa, preservando a operação, o relacionamento com os fornecedores e a experiência na ponta para os nossos clientes. Ainda há etapas pela frente, incluindo a própria homologação final dessa recuperação, mas entendemos que demos um passo importantíssimo na reorganização da companhia”, concluiu o CEO.

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