Guerra no Oriente Médio eleva risco de ruptura de até 10% e pressiona estoques no varejo

Setor revisão logística, trabalhado com estoques de 30 a 45 dias e reajuste com alto potencial de custos de energia, frete e insumos

A intensificação do conflito no Oriente Médio já acendeu um sinal de alerta no varejo alimentar brasileiro e começa a tomar decisões estratégicas de abastecimento, mesmo sem impacto imediato nas gôndolas. A análise da Scanntech indica que a combinação entre possível alta dos combustíveis, encarecimento de insumos derivados do petróleo e riscos logísticos globais tem levado empresas a revisar estoques, custos e planejamento operacional.

Diante desse cenário, as empresas do setor operam de forma preventiva, revisando orçamentos, custos logísticos e estratégias de abastecimento. A principal ocorrência foi a recalibração dos níveis de estoque, buscando equilibrar a proteção contra a alta de preços e o risco de desabastecimento. “Não observamos ainda impacto direto nas prateleiras, mas já vemos varejo e indústria revisando níveis de estoque, replanejando logística e negociando com fornecedores, especialmente fora do Brasil”, afirma Daniel Portela, diretor de Produtos para Supply da Scanntech.

A tendência predominante é elevar os estoques como mecanismo de defesa diante de dois riscos simultâneos: aumento de custos e possíveis rupturas na cadeia. Dados da Scanntech apontam que muitos setores já operam com níveis de ruptura entre 5% e 10% nas principais redes varejistas, índice que pode avançar com gargalos logísticos ou impasses no repasse de preços.

Produtos não perecíveis oferecem maior margem de manobra, com estoques médios entre 30 e 45 dias, permitindo ajustes mais graduais. Já itens perecíveis, especialmente os dependentes de fertilizantes e energia, apresentam maior sensibilidade e tendem a oscilações reflexivas de custo de forma mais rápida ao consumidor. O histórico recente reforça esse comportamento: meses após o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, em 2022, o preço do leite chegou a dobrar no Brasil, pressionado pelos custos agrícolas.

O impacto potencial também se estende ao transporte e às embalagens, diretamente influenciado pela variação do petróleo, além dos fertilizantes, que afetam toda a cadeia agrícola. Categorias essenciais como arroz, feijão e leite, de baixa elasticidade de demanda, mantêm o consumo mesmo diante de reajustes, ou que reduzem a capacidade de absorção de custos ao longo da cadeia, especialmente em segmentos de menor margem.

“Momentos de instabilidade bloqueiam monitoramento diário e integração maior entre varejo, indústria e transportadoras. O dado passa a ser essencial para calibrar decisões, evitar excessos de estoque e garantir o abastecimento em um ambiente de alta volatilidade”, afirma Priscila Ariani, diretora de Marketing e Estudos da Scanntech.

Fonte : https://www.supervarejo.com.br/economia/guerra-no-oriente-medio-eleva-risco-de-ruptura-de-ate-10-e-pressiona-estoques-no-varejo?utm_source=newsletter&utm_medium=email

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