Higiene, saúde e menos burocracia: palestra debate vigilância sanitária no varejo

Com uma linguagem clara e acessível, o médico Fernando Akio Mariya abordou um assunto muito presente no dia a dia do varejo de alimentos, na palestra promovida pelo Sincovaga, no último dia 31 de julho, em formato híbrido, com o tema “Vigilância Sanitária e Fatores Psicossociais”. Especialista em Medicina do Trabalho pela USP, especialista pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) e diretor médico para a América Latina da P&G, Akio retratou questões práticas e legais que envolvem a atuação de manipuladores de alimentos no comércio varejista, especialmente em supermercados e restaurantes.

O encontro teve a mediação do consultor em Saúde Ocupacional e coordenador do Comitê de Segurança e Medicina do Trabalho do Sincovaga, Caires José Maria, e reuniu empresários, gestores e profissionais de saúde. Akio apresentou um panorama das legislações federal, estadual e municipal que tratam da obrigatoriedade de exames médicos para trabalhadores que lidam diretamente com alimentos.

Com base em sua experiência à frente de programas de saúde corporativa no Hospital Israelita Albert Einstein e na USP, ele detalhou as diferentes exigências conforme a jurisdição e chamou atenção para o excesso de burocracia em cidades como São Paulo, que, segundo ele, tem levado empresas a migrarem suas cozinhas centrais para outros municípios.

Entre os pontos de destaque, o especialista criticou o uso indiscriminado de exames complementares como critério de aptidão e reforçou a importância da anamnese e do exame clínico anual. Para ele, a forma mais eficaz de evitar contaminações alimentares não está em exames laboratoriais, mas na adoção de boas práticas, como a correta higienização das mãos. “Mais de 50% das pessoas não lavam as mãos após usar o banheiro. Ensinar o trabalhador a fazer isso corretamente é a maior garantia de segurança alimentar”, afirmou.

Akio também alertou para a necessidade de revisão das legislações municipais defasadas, como a da cidade de São Paulo, que exige exames sem respaldo científico atual. Ao final, defendeu que os trabalhadores com sintomas gripais ou infecções de pele não sejam afastados do trabalho, mas realocados temporariamente para funções que não envolvam manipulação de alimentos.

O palestrante apresentou ainda dados sobre doenças comuns e explicou que a maioria dos parasitas detectados em exames não representa risco à saúde pública. Ele enfatizou que nenhum desses exames deveria ser usado como critério para inaptidão ao trabalho, e que uma boa triagem clínica é suficiente na maioria dos casos.

No encerramento, Caires reforçou a importância do tema “Vigilância Sanitária” para o varejo de alimentos, abordado pela primeira vez em uma palestra do Comitê de Segurança e Medicina do Trabalho do Sincovaga, desta vez com apoio da Associação Brasileira de Empresas de Saúde e Segurança no Trabalho (ABRESST). “Mais que respeitar a legislação, as empresas esquecem que esse cuidado com os trabalhadores e com a prevenção de contaminações é um diferencial de mercado”, ressalta Caires.

Da palestra surgiram ideias de protocolos e manuais sobre os manipuladores de alimentos e o que os médicos do Trabalho precisam saber sobre a atividade e seus riscos, com apoio de entidades ligadas à Medicina do Trabalho e do Sincovaga, cuja viabilidade será avaliada pelos integrantes do Comitê.

Mais informações e como fazer parte do Comitê: (11) 3335-1100.

Thais Abrahão – Presstalk Comunicação

JUL/25

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