Nesta sexta-feira (22), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a nova edição do informativo “Indicadores Econômicos do Brasil – 2025″ contendo os principais dados econômicos conjunturais do país, obtidos a partir das pesquisas realizadas pelo Instituto ao longo de 2025.
Trata-se de indicadores que possuem como fonte as pesquisas conjunturais, aquelas de periodicidade mensal, trimestral ou semestral. No informativo, esses indicadores foram organizados em quatro eixos: trabalho e rendimento do trabalho; produção das atividades agropecuárias; produção das atividades industrial, comercial e de serviços; e índices de preços e custos.
“O objetivo da publicação é duplo: proporcionar fácil acesso a esses dados e dar visibilidade às pesquisas conjunturais do Instituto. A publicação permite às/aos interessadas/os, uma visão panorâmica da economia brasileira, por meio desses indicadores, facilitando o acesso aos seus resultados e possibilitando maior compreensão sobre a contribuição dessas pesquisas para a interpretação da situação econômica do país”, destaca a pesquisadora Camila Vaz, da Diretoria de Pesquisas do IBGE.
Nessa perspectiva, Vaz ressalta que a consolidação dos indicadores em um único informativo facilita a utilização desses dados em análises e tomadas de decisão, e aprofunda o conhecimento a respeito das publicações do IBGE.
É a segunda publicação dos “Indicadores Econômicos do Brasil”. A primeira ocorrera com os dados referentes ao ano de 2024, sendo publicada no ano passado. O produto abrange os resultados dos levantamentos: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua; Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA); Pesquisa Trimestral do Abate de Animais (PTAA); Pesquisa Trimestral do Leite (PTL); Pesquisa Trimestral do Couro (PTC); Produção de Ovos de Galinha (POG); Pesquisa Industrial Mensal (PIM) – Produção Física; Pesquisa Mensal de Comércio (PMC); Pesquisa Mensal de Serviços (PMS); Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA; Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC; Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil – SINAPI; e Índice de Preços ao Produtor – IPP.
“A partir do informativo, os leitores podem buscar mais informações e detalhes a respeito de cada uma das pesquisas de interesse e passar a acompanhar os resultados conjunturais que são produzidos por elas ao longo do ano”, ressalta o diretor-adjunto da Diretoria de Pesquisas, Vladimir Miranda.
Cenário Econômico em 2025
O cenário internacional em 2025 manteve elevados riscos geopolíticos, com conflitos regionais, tensões comerciais e rivalidades entre grandes potências. Políticas industriais mais ativas e novos pacotes tarifários afetaram cadeias globais de valor, ampliando a volatilidade e a incerteza.
Segundo a publicação, países como o Brasil enfrentaram um ambiente de negócios fragmentado, adotando políticas monetárias e fiscais cautelosas para preservar a estabilidade. A política restritiva dos Estados Unidos, com juros altos, limitou espaço para cortes no Brasil, enquanto a desaceleração na China (PIB de 4,5% frente a 5% em 2024) reduziu sua contribuição ao crescimento global.
O panorama de 2025 revela uma economia moderadamente em expansão, sustentada pela agropecuária e pelas exportações, mas limitada por juros elevados e menor dinamismo do consumo interno. O ano registrou avanços relevantes no emprego, na agropecuária e nos serviços, acompanhado de inflação mais controlada, mas também de pressões de custos na construção civil e desaceleração em alguns segmentos do comércio.
PIB cresce pelo quinto ano consecutivo
No ano passado, o PIB cresceu 2,3%, quinto ano seguido de expansão, porém abaixo dos 3,4% de 2024. A agropecuária foi o principal motor, responsável por cerca de um terço do crescimento, com safras recordes de milho e soja. Indústria, comércio, serviços e construção avançaram menos.
A agropecuária foi impulsionada por clima favorável, expansão da área plantada e chuvas bem distribuídas, resultando em uma safra histórica de grãos, especialmente milho e soja. Conforme levantamento da LSPA, a produção nacional de grãos, em 2025, foi de 346,1 milhões de toneladas, 18,2% maior que a obtida em 2024 (292,7 milhões de toneladas). O número representa um recorde na série histórica do IBGE, iniciada em 1975.
Na pecuária, os abates de bovinos, suínos e frangos atingiram os maiores níveis registrados na série histórica da PTAA. Além disso, a aquisição de leite foi a maior da série histórica iniciada em 1997, assim como a produção de ovos de galinha.
Em 2025, o mercado de trabalho registrou aumento expressivo dos rendimentos médios do trabalho em relação ao ano anterior (+5,8%) e nova queda na taxa de desocupação, que alcançou 5,6%, patamar mais baixo observado na série histórica anual, iniciada em 2012.
Na indústria, o crescimento acumulado em 2025 foi de 0,6% (frente a 3,1% em 2024), sustentando, sobretudo, pelas indústrias extrativas com expansão de 4,9%, enquanto a indústria de transformação (-0,2%) teve seu resultado impactado pelo ambiente de política monetária mais restritiva, que tende a desestimular as decisões de investimento das empresas e de consumo das famílias. A indústria registrou resultados positivos em duas das quatro grandes categorias econômicas e em 14 dos 25 ramos (49,3% dos 789 produtos pesquisados).
O comércio varejista assinalou crescimento (1,6%), completando nove anos consecutivos de expansão. No entanto, o varejo ampliado apresentou variação de 0,1% em 2025 frente a 2024. Já o volume de serviços encerrou o ano de 2025 com expansão de 2,9%, no quinto ano seguido de crescimento, com ganho acumulado de 31,1%.
Quanto aos preços, houve arrefecimento da inflação, influenciado pela política de juros elevados. O IPCA acumulado do ano ficou em 4,26%, 0,57 ponto percentual (p.p.) abaixo do resultado do ano anterior (4,83%). Os grupos de maior impacto foram Habitação, Saúde/cuidados pessoais, Alimentação e bebidas, e Transportes.
No caso dos preços ao produtor, houve recuo acumulado de 4,51% em 2025, o segundo menor valor acumulado no ano, até o mês de dezembro, desde o início da série histórica, iniciada em 2014. As principais influências foram registradas em: produtos alimentícios; indústrias extrativas; coque; produtos derivados do petróleo e biocombustíveis; e metalurgia.
Quanto aos custos medidos pelo SINAPI (5,63%), houve alta de 1,65 p.p. em relação à taxa acumulada de 2024 (3,98%). Em 2025, o resultado acumulado da parcela correspondente aos custos em material foi 4,20%, enquanto a referente aos custos com mão de obra atingiu 7,63%.